Tireoide: atenção aos sinais e diagnóstico precoce ajudam a evitar complicações

21 de maio de 2026 - 14:45 # # # # # # # #

Assessoria de Comunicação do HGWA
Texto, fotos e vídeo: Bruno Brandão

Alterações na tireoide estão entre os problemas endocrinológicos mais comuns e podem afetar diretamente o funcionamento de todo o organismo. Localizada na região do pescoço, a glândula tem formato semelhante ao de uma borboleta e é responsável pela produção de hormônios que regulam funções importantes do corpo, como metabolismo, batimentos cardíacos, sono, memória, temperatura corporal e níveis de energia.

No Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), pacientes contam com acompanhamento cirúrgico para casos que necessitam de intervenção. Segundo o cirurgião de cabeça e pescoço do HGWA, Francisco Bomfim, muitas pessoas convivem com doenças da tireoide sem perceber os sinais iniciais.

“A principal função da tireoide é produzir hormônios que regulam o metabolismo. Isso quer dizer que ela regula o bom funcionamento de órgãos como coração, músculos, cérebro e rins. Sem esses hormônios, o corpo sofre uma falta de energia que pode colocar a vida em risco”, explica.

Assista ao depoimento do médico:

A cozinheira Antonia Maria da Silva, de 61 anos, realizou nesta semana uma tireoidectomia no HGWA após conviver com desconfortos causados pela doença. “O médico falou que eu tinha que fazer a cirurgia. Eu não estava me sentindo bem, principalmente quando comia, tinha uma sensação de engasgo. Fiz os exames e descobriram que era um nódulo na tireoide e que precisava operar”, conta.

Paciente Antonia Maria da Silva realizou cirurgia de tireoide no HGWA após diagnóstico de nódulo benigno

Ela relata que também sofria com rouquidão, perda de sono e sensação constante de “nó na garganta”. Após realizar a punção, recebeu a notícia de que o nódulo era benigno. “Fui muito bem atendida no ambulatório e, graças a Deus, deu tudo certo”, comemora.

Entre os problemas mais frequentes estão os nódulos tireoidianos, o hipotireoidismo (quando a glândula funciona lentamente), e o hipertireoidismo (caracterizado pela produção excessiva de hormônios). Em muitos casos, as alterações podem ser silenciosas no início, mas alguns sintomas devem servir de alerta.

“Nódulos no pescoço, rouquidão, agitação, taquicardia, nervosismo, insônia, mal-estar e ganho de peso sem explicação podem indicar problemas na tireoide”, destaca o especialista.

Cirurgia da tireoide é indicada em casos de grandes nódulos, alterações hormonais graves ou suspeita de câncer

Além das mudanças físicas e hormonais, doenças da tireoide também podem impactar o humor, provocar cansaço excessivo, dificuldade de concentração e alterações no sono. Em casos de nódulos maiores, o paciente pode apresentar sensação de pressão no pescoço, dificuldade para engolir e até alterações na voz.

As mulheres entre 45 e 60 anos estão entre os grupos de maior risco para desenvolver doenças da tireoide, mas os problemas podem surgir em qualquer idade. Histórico familiar, obesidade, tabagismo e alimentação inadequada também estão associados a alterações na glândula. Por isso, o acompanhamento médico periódico é fundamental. “Mulheres devem investigar a saúde da tireoide pelo menos uma vez a cada dois anos”, orienta Francisco Bomfim.

Prevenção: hábitos saudáveis ajudam

Embora não exista uma forma específica de prevenção, hábitos saudáveis ajudam no funcionamento adequado do organismo. “Exercícios físicos e boa alimentação parecem influenciar positivamente. Dietas muito ricas em carboidratos, gorduras e ultraprocessados podem estar relacionadas ao câncer de tireoide. Evitar cigarro e álcool também é fundamental”, afirma.

Quando há crescimento excessivo da glândula, sintomas compressivos ou suspeita de câncer, a cirurgia pode ser indicada. A tireoidectomia, procedimento realizado para retirada parcial ou total da tireoide, atualmente é considerada segura quando feita por equipes especializadas.

“A maior diferença entre a tireoidectomia total e a parcial está nos riscos de complicações, que são maiores na total, além da necessidade de reposição hormonal após a cirurgia”, explica o cirurgião. No HGWA, os procedimentos cirúrgicos são realizados via regulação. Em caso de suspeitas, a indicação é procurar as unidades básicas de saúde (UBS) para uma avaliação.

O médico reforça que o diagnóstico precoce faz diferença no tratamento e na recuperação dos pacientes. “O maior impacto acontece quando o câncer ou os grandes nódulos são descobertos tardiamente, porque podem exigir cirurgias maiores e mais arriscadas. Quando identificamos cedo, as chances de tratamento bem-sucedido são muito maiores”, ressalta.