Respirar bem, viver melhor: ambulatório do Hias acompanha crianças com traqueostomia e doenças das vias aéreas

17 de abril de 2026 - 17:18 # # # # #

Assessoria de Comunicação do Hias
Texto e fotos: Levi Aguiar

Paciente acompanhada no ambulatório de vias aéreas ao lado da mãe, Ana Maria, durante consulta de reabilitação

Em 2025, o ambulatório de vias aéreas do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), realizou 509 atendimentos (média de 42 por mês). Por trás dos números, estão crianças como Amália Vitória, seis anos, que dependem diretamente da respiração pela traqueostomia para seguir com a rotina e o desenvolvimento.

Natural do Piauí, Amália vive no Ceará desde antes de nascer, quando a família foi encaminhada para acompanhamento de uma cardiopatia congênita complexa. Atualmente, é acompanhada no ambulatório do Albert Sabin, onde segue em reabilitação com foco na retirada da traqueostomia.

Após cirurgias nos primeiros anos de vida e um período de um ano e seis meses de internação, com intubação prolongada, Amália passou por um transplante cardíaco aos três anos, realizado no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM).

Equipe multiprofissional do Hias acompanha Amália no processo de reabilitação e preparação para retirada da traqueostomia

A recuperação trouxe um novo desafio. Devido ao tempo de intubação, foi necessária a realização da traqueostomia (procedimento que cria uma abertura na traqueia, no pescoço, para permitir a respiração por meio de uma cânula). Em casos como o dela, o dispositivo garante a vida.

“Ela brinca, corre, tem uma vida normal. A traqueo é vida”, resume a mãe, Ana Maria, 38 anos. A família decidiu permanecer no Ceará para garantir o tratamento. “No Piauí não há assistência para pacientes pediátricos transplantados com traqueostomia. Só voltaremos quando ela tiver alta completa”, afirma.

Cuidado multiprofissional

Amália realiza acompanhamento com profissionais da otorrinolaringologia, fonoaudiologia e cirurgia pediátrica no ambulatório de vias aéreas do Hias

Implantado em 2021, o ambulatório de vias aéreas reúne especialistas de diferentes áreas para o cuidado de crianças e adolescentes com alterações respiratórias e da via aerodigestiva. A atuação envolve avaliação clínica, exames, cirurgias e reabilitação, com acompanhamento contínuo.

O cuidado envolve uma equipe multiprofissional que acompanha a criança em todas as etapas da reabilitação. A fonoaudióloga Marinisi Sales destaca o papel da área no processo. “Atuamos na avaliação e no tratamento de crianças com dificuldades respiratórias, de deglutição e fonação, ajudando a reduzir complicações e a melhorar a qualidade de vida”, afirma.

Nos pacientes traqueostomizados, o trabalho inclui a retirada da cânula, o uso de válvulas de fala e a reabilitação das funções orais. Exames como a videoendoscopia da deglutição (VED) auxiliam na condução do tratamento.

No caso de Amália, após a cirurgia, houve dificuldade para engolir, principalmente sólidos, com evolução ao longo do acompanhamento. Atualmente, ela está no processo de retirada da traqueostomia e segue em fonoterapia, com foco na respiração e na fala, ampliando a comunicação e a autonomia no dia a dia.

Acompanhamento dos casos

Segundo a cirurgiã pediátrica Monika Nishikido, o diferencial do ambulatório de vias aéreas está justamente nessa integração das etapas do tratamento e na possibilidade de intervir ainda na infância. “O cuidado pediátrico exige uma abordagem específica. A criança é diferente do adulto. Ela ainda está em desenvolvimento e, em alguns casos, precisa reaprender funções básicas, como respirar e coordenar a respiração com a alimentação”, diz.

A traqueostomia, embora garanta a respiração, impacta diretamente a rotina. “Os responsáveis precisam ter uma série de cuidados no dia a dia. São crianças que, por exemplo, não podem entrar na piscina, pelo risco de entrada de água pela cânula. Por isso, tanto o manejo quanto a possibilidade de retirada do dispositivo exigem acompanhamento especializado. Não é só um procedimento, é uma condição que demanda adaptação da criança e da família”, explica.

Nesse contexto, o ambulatório amplia as possibilidades de tratamento. “Antes, muitas crianças permaneciam com a cânula até a vida adulta. Neste momento, conseguimos atuar ainda na infância para que, quando possível, elas vivam sem a traqueostomia”, destaca Monika.

O acesso ao serviço se dá via encaminhamento. Para a mãe de Amália, ser acompanhada no Hias fez toda a diferença para a família. “Hoje, oramos a Deus para que ela faça a retirada para ter uma qualidade de vida ainda melhor. Os profissionais são tão dispostos. E isso é maravilhoso”, conclui.