Oficina regional debate cuidados paliativos no SUS
19 de maio de 2026 - 16:47 #Casa de Cuidados do Ceará (CCC) #Conass #cuidados paliativos
Assessoria de Comunicação da Sesa
Texto e fotos: Jessika Sampaio
Oficina Regional sobre Cuidados Paliativos no SUS reúne gestores e profissionais de saúde de diferentes regiões do país em Fortaleza
“Para mim, cuidado paliativo é dar dignidade ao ser humano”. Foi com essa reflexão que a gestora da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Tânia Mara Coelho, abriu, nesta terça-feira (19), a Oficina Regional sobre Cuidados Paliativos no Sistema Único de Saúde (SUS), realizada na Escola de Saúde Pública de Fortaleza (Espfor).
O encontro segue até quinta-feira (21) e reúne gestores, profissionais de saúde e representantes do Ministério da Saúde, do Conass, dos municípios e de serviços da Rede de Atenção à Saúde (RAS) para discutir estratégias de implementação da Política Nacional de Cuidados Paliativos. Estiveram presentes também o secretário executivo de Atenção à Saúde e Desenvolvimento Regional, Lauro Perdigão, e a secretária executiva da Atenção Primária e Políticas de Saúde, Vaudelice Mota.
Programação aborda temas como comunicação de más notícias, organização da linha de cuidado e acolhimento ao luto no SUS
Durante a abertura do evento, Tânia Mara Coelho compartilhou experiências vividas ao longo da trajetória profissional como médica infectologista. “Eu via a dificuldade que os nossos colegas tinham de conversar sobre esse assunto. Muitas vezes, era mais fácil internar um paciente grave do que falar sobre cuidados paliativos. Vivi uma realidade de transformação quando conseguimos abrir a primeira equipe especializada nisso, no Hospital São José. Foi muito importante entender que cuidar do paliativo é dar dignidade ao ser humano”, afirmou.
A gestora também ressaltou a importância da formação dos profissionais para fortalecer o cuidado humanizado. “Mais do que empatia, é compaixão. Não é apenas se colocar no lugar do outro, mas poder fazer pelo outro. É isso que queremos aqui: que possamos cada vez mais dar dignidade às pessoas”, completou.
Participantes discutem estratégias para ampliar o acesso aos cuidados paliativos de forma integrada e humanizada na Rede de Atenção à Saúde
Representando o Conass, a coordenadora da Câmara Técnica de Qualidade no Cuidado e Segurança do Paciente e do Núcleo de Cuidados Paliativos da instituição, Carla Ulhoa, enfatizou que a oficina fortalece uma construção coletiva entre Ministério da Saúde, Conass, estados, municípios e serviços de saúde. “Nós já sabemos onde estamos e onde queremos chegar: a um lugar onde o cuidado paliativo seja visto da forma que o paciente precisa”, afirmou.
Ao longo dos três dias de oficina, os participantes irão discutir temas como organização da linha de cuidado em cuidados paliativos, integração entre os pontos da RAS, identificação de usuários elegíveis, planejamento antecipado do cuidado, comunicação de más notícias, cuidado frente às perdas e ao luto, além da construção de fluxos e planos de ação territoriais.
Atividades incluem oficinas coletivas, estudos de caso e construção de planos de ação voltados à realidade dos territórios
Representando o Ministério da Saúde, a coordenadora do Núcleo Nacional de Cuidados Paliativos, Gabriela Hidalgo, ressaltou que a oficina foi pensada como espaço de fortalecimento dos territórios e valorização das experiências locais. “Queria que vocês enxergassem essa oficina regional como um lugar de empoderamento e de mudança de realidade. Muitas vezes, a melhor pessoa para implementar uma política não é um especialista, mas quem conhece a realidade dos serviços e o sofrimento de quem está na ponta”, disse.
A programação inclui exposições dialogadas, estudos de caso, oficinas coletivas, visitas técnicas e momentos de sistematização das experiências desenvolvidas nos territórios. As atividades serão encerradas na Casa de Cuidados do Ceará (CCC), unidade da Rede Sesa referência no cuidado multiprofissional e na desospitalização de pacientes.
Representantes da atenção primária, atenção especializada, regulação, assistência farmacêutica e vigilância em saúde participam da oficina regional
O médico Dyeggo Carvalho, médico da equipe de desospitalização e cuidados paliativos, destacou ainda o caráter transversal dos cuidados paliativos, com participação de diferentes áreas da saúde. “Convidamos representantes da vigilância sanitária, assistência farmacêutica, qualidade do paciente, urgência e emergência, regulação e atenção primária, que têm papel fundamental na identificação dos pacientes. Também estão presentes profissionais especialistas que já atuam na rede”, concluiu.
Política Nacional de Cuidados Paliativos
Instituída pelo Ministério da Saúde em 2024, a Política Nacional de Cuidados Paliativos (PNCP) organiza a oferta desse cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo assistência integral, humanizada e multiprofissional às pessoas com doenças ou condições que ameaçam a continuidade da vida. A política prevê a integração dos cuidados paliativos em todos os pontos da RAS, com foco no alívio da dor e do sofrimento físico, emocional, social e espiritual, além do acolhimento aos familiares e cuidadores.