HGF orienta sobre cuidados para evitar traumas oculares na infância

15 de maio de 2026 - 14:15 # # #

Assessoria de Comunicação do HGF
Texto: Eva Sullivan e Filipe Dutra
Fotos: Islane Verçosa e arquivo pessoal

Traumas oculares são uma das principais causas de cegueira na infância

Ravi Lucca Mendes Rodrigues, de 1 ano e 4 meses, da cidade de Granja, chegou ao Hospital Geral de Fortaleza (HGF), equipamento da rede da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), com o olho completamente colado, após contato com supercola. O pai de Ravi, Gearlle Aragão Rodrigues, conta que estava em casa com o filho, após o trabalho, enquanto respondia a uma mensagem no celular. “Quando eu levantei a cabeça para olhar o que ele estava fazendo, Ravi já tinha pegado a cola. Na hora que abriu, voou a cola no rosto dele”, relata.

Segundo a chefe do Serviço de Oftalmologia do HGF, Islane Verçosa, a rapidez da adesão da cola ao olho dificultou o atendimento inicial. “Esse tipo de material tem um poder muito forte de aderência. O olho ficou totalmente colado e, por isso, não foi possível desprendê-lo nas primeiras tentativas de atendimento. Foi necessária uma sedação para retirar a cola aderida. Por muita sorte, a córnea da criança não foi afetada. Provavelmente ele fechou o olho no momento do contato com a cola, e isso evitou uma lesão mais grave”, explica.

Após o atendimento bem-sucedido, o sentimento dos pais é de alívio e gratidão. “Desde que chegamos ao hospital, fomos muito bem acolhidos. Todo o tempo eles conversavam com a gente, explicavam como ele estava e tentavam acalmar a nossa preocupação. Meu sentimento é só de gratidão por todo cuidado e atenção que recebemos no HGF. Só de saber que meu filho não vai ter nenhuma sequela, é o melhor presente que eles poderiam ter me dado”, relembra a mãe, Maria das Graças.

Casos como o de Ravi são considerados traumas, uma das principais causas de cegueira na infância. Mais da metade dos casos de perda de visão em crianças ocorrem por causas evitáveis (15% tratáveis e 28% preveníveis). De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), ocorrem, por ano, mais de 55 milhões de traumas oculares.

“Grande parte dos traumas oculares na infância acontece em situações muito rápidas, no intervalo de uma simples distração. Produtos como colas, objetos pontiagudos e brinquedos que lançam peças precisam ficar fora do alcance das crianças. A supervisão de um adulto faz muita diferença na prevenção desses acidentes”, orienta Islane.

Embora acidentes com cola de alta adesão não sejam frequentes no HGF, o serviço vem registrando uma sequência de traumas oculares infantis relacionados ao ambiente doméstico. “Só nesta semana, atendemos uma criança que perfurou a córnea brincando com um estilingue e desenvolveu uma catarata traumática. Também recebemos um paciente que sofreu um corte grave provocado por uma porta de vidro, com uma lesão extensa na córnea e grande comprometimento da visão. Acidentes que acontecem de forma muito rápida e deixam sequelas pra vida toda”, alerta a oftalmologista.

Como prevenir e o que fazer

Não é tarefa fácil prever acidentes, mas parte deles pode ser evitada com medidas simples. Estudos e orientações de especialistas apontam que crianças de até 5 anos estão mais expostas a acidentes. “Por isso, produtos de limpeza, colas de alta adesão, tesouras, lápis e brinquedos que lançam objetos precisam ficar fora do alcance, principalmente das crianças menores, que ainda não conseguem identificar o perigo”, orienta Islane.

Em situações de trauma ocular, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. “Vale reforçar que, quando existe perfuração ou algum objeto aderido ao olho, a nossa orientação é não tentar retirar em casa, porque isso pode agravar a lesão”, explica a médica.