Amor que cura: mãe doa medula óssea para filha no Hemoce
8 de maio de 2026 - 11:28 #Cadastro de medula óssea #caminho do transplante #Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce) #Hemoce #Maternidade
Assessoria de Comunicação do Hemoce
Texto: Emmanuel Denizard
Fotos: Arquivo Pessoal
Mãe: uma palavra que pode traduzir abrigo, força e a mais genuína expressão do amor. Antes mesmo de os filhos chegarem ao mundo, muitas mulheres se revelam modelos de doação. É nesse cotidiano de cuidado que a empatia floresce, ensinando o valor de olhar o outro com sensibilidade. No Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), equipamento da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), essa vocação rompe fronteiras: mães doadoras transformam o amor em um gesto concreto de solidariedade, inspirando filhos e a sociedade a acreditarem no poder de salvar vidas.
Para Sawana Raulino, 40, o amor materno não conhece limites. A supervisora de Controladoria Jurídica teve a oportunidade de dar à filha uma nova chance de viver ao realizar, neste mês de maio, uma doação de medula óssea no Hemoce. Mais do que um procedimento, o ato representou a continuidade de uma história construída com afeto, cuidado e dedicação desde o primeiro instante de vida da filha.
Esperança
Ao ver a bolsa de medula seguir para uma das pessoas que mais ama no mundo, ela sentiu renascer a esperança. “Durante a doação, passou um filme na minha cabeça. Revivi toda a trajetória dela, desde o momento em que descobri a gravidez até o momento atual. Quando a vi recebendo a minha doação, fiquei emocionada a ponto de não conseguir expressar tudo o que sentia. Eu só queria acompanhar aquele momento, observar o brilho nos olhos dela e sentir o alívio de saber que ela estava recebendo, de fato, uma nova oportunidade de vida”, relembra Sawana.
Claudia Letícia, 21, precisou passar por um transplante de medula óssea (TMO) após ser diagnosticada com micose fungoide, um tipo raro de câncer que afeta os linfócitos T, células responsáveis pela defesa do organismo. Em casos mais avançados, o transplante pode ser indicado como alternativa de tratamento, substituindo as células doentes por células saudáveis e contribuindo para a recuperação do sistema imunológico. A modalidade foi alogênica aparentada, termo utilizado quando a doação é realizada por um familiar compatível.
Sawana Raulino doou medula óssea para a filha
Força
Claudia Letícia, 21, precisou passar por um transplante de medula óssea (TMO) após ser diagnosticada com micose fungoide
Receber a notícia de que a filha precisaria enfrentar um transplante foi um dos momentos mais difíceis para a mãe. Entre o medo e a incerteza, ela encontrou forças para permanecer firme e transmitir tranquilidade à filha, mesmo carregando silenciosamente suas próprias angústias.
“A primeira sensação foi de impotência. Eu pensava: “E agora?”. Tentei ser mais racional do que emocional para transmitir calma a ela, mas minhas noites passaram a ser longas, cheias de pensamentos e, muitas vezes, acompanhadas de lágrimas pelo medo do desconhecido. Quando soube que poderia doar, senti primeiro um enorme alívio. Depois, meu coração batia forte de tanta alegria. Ser doadora da minha filha foi viver a forma mais intensa do amor que sinto por ela. Era medo e coragem ocupando o mesmo espaço dentro do meu coração”, descreve.
O amor de mãe consegue atravessar dores, enfrentar batalhas e florescer mesmo nos momentos mais difíceis. É um sentimento que não exige nada em troca, mas entrega tudo de si. Para ela, a maternidade ganhou um significado ainda mais profundo ao longo de cada etapa do transplante.
“Ser mãe é continuar firme, mesmo cansada, com medo ou insegura, porque o amor fala mais alto do que qualquer dificuldade. Cada etapa do transplante me mostrou que consigo suportar dores, renúncias e batalhas que jamais imaginei enfrentar. Para o futuro, quero ver minha filha saudável, vivendo tudo o que merece viver. Quero aproveitar ainda mais cada momento ao lado dela e do meu outro filho”, destaca.
“Ser doadora da minha filha foi viver a forma mais intensa do amor que sinto por ela”, diz Sawana
O papel do Hemoce no caminho do transplante
O hemocentro cearense realiza, além da coleta, a triagem de candidatos, os testes de compatibilidade e exames laboratoriais do doador e da medula óssea coletada. O procedimento é realizado por meio da aférese, técnica que retira, por meio de um equipamento apropriado, as células-tronco diretamente do sangue, utilizando as veias dos braços do doador. Durante o processo, o equipamento separa apenas as células necessárias e devolve ao organismo os demais componentes do sangue.
Além das coletas para transplante alogênico aparentado, quando ocorre entre familiares compatíveis, o Hemoce também realiza para alogênico não aparentado (quando a medula é doada por uma pessoa sem parentesco cadastrada no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea – Redome) e autóloga (quando é coletada a própria medula do paciente). Em 2026, já foram coletadas mais de 60 doações, entre autólogas, alogênicas aparentadas e não aparentadas.
Cadastro de Voluntários
Quando não é possível encontrar um doador compatível na família, inicia-se a busca de possíveis doadores no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea – Redome.
O Hemoce é responsável pelo cadastro de doadores de medula óssea no Ceará. Desde o ano 2000, quando iniciou esse trabalho, já foram incluídas mais de 245 mil pessoas no Redome. O número de cadastros realizados pelo hemocentro cearense é o maior das regiões Norte e Nordeste.
Para ser um doador de medula óssea, é necessário se cadastrar. Basta ter entre 18 e 35 anos e não apresentar histórico pessoal de doenças oncológicas, apresentar um documento de identidade e telefones para contato. O voluntário preencherá uma ficha com dados pessoais e terá coletada uma amostra de 5 ml de sangue.
Pessoas já cadastradas devem ficar atentas para o caso de serem convocadas. Se houver mudança de endereço e/ou de contato, é importante atualizar os dados em qualquer unidade do Hemoce ou no aplicativo do Redome.