HGF orienta sobre riscos de alergia a frutos do mar e chocolates na Páscoa
1 de abril de 2026 - 11:53 #alergias alimentares #celebração #Feriado #HGF #Hospital Geral de Fortaleza (HGF) #intolerâncias #páscoa #semana santa
Assessoria de Comunicação do HGF
Texto: Eva Sullivan
Fotos: Eva Sullivan e Arquivo pessoal
O “peixe torrado” é um prato comum nas celebrações dos cearenses. Em um período marcado por encontros e comemorações, o cuidado com a saúde precisa, também, ter lugar à mesa
A Semana Santa é marcada por tradições que atravessam gerações e sabores que marcam a memória afetiva. Mesas fartas, encontros em família, receitas com peixes, frutos do mar, coco e, na Páscoa, o chocolate. Mas, para uma parcela da população, esse período exige atenção redobrada.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 35% da população brasileira possui algum tipo de alergia, sendo as alimentares as mais comuns, de acordo com o Ministério da Saúde. Em meio ao simbolismo religioso e cultural da Semana Santa, o cuidado com o que se consome pode ser a diferença entre uma celebração tranquila e uma emergência médica. Crustáceos, leite de vaca, amendoim, soja e castanhas, comuns no almoço de Páscoa brasileiro, são alguns dos alergênicos alimentares mais comuns.
Para a comunicadora Raphaela, a atenção é questão de sobrevivência
Alérgica de forma severa a crustáceos, especialmente camarão, Raphaela Esther Pinto da Silva, 26, convive desde a infância com reações intensas. Ao longo da vida, já enfrentou episódios graves, incluindo choque anafilático. “Minha garganta já fechou, meu rosto deformou de alergia. Hoje eu sei identificar os sinais, mas continuo em alerta o tempo todo”, relata.
O médico alergista e imunologista Danilo Gois Gonçalves, do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), orienta como agir diante de uma complicação alérgica.
“Em casos mais leves, como coceira na pele, coriza ou desconforto inicial, podem ser utilizados anti-histamínicos [antialérgicos], que ajudam a controlar os sintomas. Já nas reações mais graves, pode ser necessário o uso de corticoides, broncodilatadores e adrenalina intramuscular, principalmente quando há dificuldade para respirar, sensação de aperto no peito ou tontura. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento imediato ou acionar o Samu (192)”, explica.
Comida como elemento de socialização
De acordo com a nutricionista do HGF, Silvana Souto, a alimentação nesse período vai além do aspecto nutricional. “Ela envolve dimensões culturais, sociais e religiosas. É um momento de encontro, de partilha, e isso não precisa ser perdido”, explica.
Quando há pessoas com alergia alimentar, o ideal é pensar em alternativas seguras para todos. “Evitar preparar pratos com os alimentos que causam alergia ou, pelo menos, separar completamente os utensílios e superfícies já é um passo importante”, orienta a nutricionista.
Isso porque, explica a profissional, o problema não está apenas no alimento servido, mas em tudo que entra em contato com ele. “Panelas, colheres, panos, superfícies, óleo de preparo dos alimentos. Pequenas quantidades já são suficientes para provocar reação”, explica. Nesses casos, pode haver o que se chama de contaminação cruzada, que é a transferência involuntária de proteínas alergênicas de um alimento para outro, por meio das mãos ou objetos manipulados no preparo.
Silvana também sugere substituições simples. “É possível, por exemplo, optar por peixes em vez de frutos do mar, preparar receitas sem leite ou sem determinados ingredientes alergênicos e até incentivar que a própria pessoa leve um prato seguro para compartilhar. O mais importante é garantir que todos possam participar com tranquilidade”, afirma.
Cuidados
Ao mesmo tempo, muitos dos alimentos típicos da data estão entre os principais causadores de alergia. No caso dos frutos do mar, como camarão, lagosta e caranguejo, um dos maiores desafios está em uma proteína chamada tropomiosina. “Isso significa que o risco permanece mesmo após o cozimento e, em pessoas mais sensíveis, pode ser desencadeado até pelo vapor ou pelo cheiro durante o preparo”, complementa ela.
Para Raphaela, o cuidado começa antes mesmo de sentar-se à mesa. Ela evita ambientes onde há risco de contaminação cruzada, algo comum em cozinhas que manipulam diferentes alimentos. “Já fui parar no hospital depois de comer frango, porque provavelmente usaram algo que teve contato com camarão”, conta.
O consumo de chocolate exige atenção, especialmente para pessoas com alergias ou restrições alimentares
No caso dos chocolates, pode-se optar pelos veganos, livres de ingredientes de origem animal, como laticínios, ovos e, frequentemente, soja, tornando-os opções seguras para alérgicos a esses componentes.
Além disso, a nutricionista chama atenção para outros pontos comuns nessa época, mesmo para quem não tem alergia alguma. “O excesso de chocolate pode causar desconfortos gastrointestinais. As preparações com leite de coco são mais calóricas e devem ser consumidas com moderação. Já o bacalhau, por sua vez, exige dessalgue adequado, especialmente para pessoas com hipertensão. Pessoas com diabetes, refluxo ou histórico de enxaqueca também devem ter atenção redobrada”, reforça.
Para quem convive com alergias, como Raphaela, o principal aprendizado veio com o tempo: ouvir o próprio corpo. “Se minha garganta começa a coçar, eu já sei que tem alguma coisa errada. Você precisa estar atenta o tempo todo. É agir rápido”, finaliza.
Atendimento em alergia e imunologia no HGF
No HGF, pacientes com suspeita ou diagnóstico de alergias contam com atendimento especializado. O ambulatório de imunologia funciona às quintas-feiras, no período da tarde, e o de alergia atende às sextas-feiras, durante todo o dia.
Os atendimentos são realizados por meio de marcação via Núcleo de Atendimento ao Cliente (NAC) com pacientes encaminhados pela regulação da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), geralmente a partir das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) ou por médicos de outras especialidades do próprio hospital.