Tecnologia reduz dor e traz mais conforto a crianças em tratamento contra o câncer no Hospital Infantil Albert Sabin
31 de março de 2026 - 16:56 #Hias #Hospital Infantil Albert Sabin (Hias) #PICC #TAV
Assessoria de Comunicação do Hias
Texto: Levi Aguiar
Foto: Levi Aguiar e Arquivo pessoal
“Antes, ele sofria muito. Era preciso furar o braço várias vezes, ficava roxo e era bem traumatizante”. A lembrança é da professora Luciana Quirino, mãe de Noah, de seis anos, em tratamento oncológico no Hospital Infantil Albert Sabin (Hias). A rotina, marcada por dor e repetidas punções, começou a mudar com a adoção de um cateter, dispositivo inserido no corpo para permitir a administração de medicamentos diretamente na corrente sanguínea. Com ele, foi possível reduzir as perfurações e tornar o processo menos doloroso para a criança.
Noah, de 6 anos, em casa durante o tratamento oncológico com o uso do PICC, dispositivo que evita múltiplas punções e reduz o desconforto ao longo da terapia
Hoje, o cenário é outro. Segundo Luciana, o filho enfrenta o tratamento com mais tranquilidade. “Agora, ele não sente dor durante a medicação e não precisa mais ser furado sempre. Isso faz toda a diferença”, relata.
Dispositivo “PICC”
Enfermeiras do Hias realizam implantação do PICC, tecnologia utilizada para garantir mais segurança na administração de medicamentos em pacientes pediátricos
O dispositivo utilizado por Noah é conhecido como PICC (cateter central de inserção periférica). De acordo com a enfermeira e coordenadora do Time de Acesso Vascular (TAV), Ana Valeska Siebra, trata-se de um tipo de acesso venoso (uma forma de chegar até a corrente sanguínea por meio de uma veia) indicado principalmente para pacientes que necessitam de terapias prolongadas, como a quimioterapia, ou de medicamentos que podem causar danos às veias comuns.
Ana Valeska Siebra, coordenadora do Time de Acesso Vascular (TAV) do Hias
“O PICC é inserido em uma veia do braço, mas fica posicionado próximo ao coração, o que permite uma administração mais segura dos medicamentos. Ele funciona como um acesso mais estável e duradouro”, explica. Segundo ela, o dispositivo reduz o risco de complicações, preserva as veias e evita punções repetidas, contribuindo para um tratamento mais seguro e menos doloroso ao longo do tempo.
Agilidade no atendimento
Além da segurança clínica, os efeitos também são percebidos na dinâmica do atendimento. Luciana conta que o processo se tornou mais ágil. “A equipe só precisa higienizar e conectar os medicamentos, soro e quimioterapia solicitada. Isso facilita muito, tanto para os profissionais quanto para a gente”, afirma.
Experiência de quem já passou pelo tratamento
A mudança também é relatada por pacientes que já passaram pelo tratamento. O jovem Ramon Góes, de 21 anos, diagnosticado com linfoma de Hodgkin, tipo de câncer que se desenvolve no sistema linfático, responsável pela defesa do organismo, utilizou o PICC em diferentes fases da terapia.
Ramon Góes, 21 anos, ex-paciente do Centro Pediátrico do Câncer do Hias, utilizou o PICC em diferentes fases do tratamento
Antes do uso do dispositivo, ele enfrentava dificuldades frequentes com o acesso venoso. “Eu perdia a veia com facilidade e precisava trocar de braço várias vezes”, lembra. Com o PICC, a experiência foi diferente. “Não sentia dor e conseguia fazer tudo por ali: quimioterapia, transfusão, medicações. Facilitou muito o tratamento”, afirma.

Ramon destaca ainda que o cateter não interfere de forma significativa na rotina, “desde que sejam seguidos cuidados básicos, como evitar pancadas e manter o local protegido”, conta. Ele também ressalta o suporte recebido durante o processo. “Foi uma experiência tranquila, com profissionais acolhedores e preparados”, diz.
Uma década de uso no Hias
No último mês, o Albert Sabin celebrou os dez anos de utilização do PICC com auxílio do ultrassom. A data marca a consolidação da tecnologia na rotina assistencial da unidade, especialmente no atendimento a crianças e adolescentes em tratamento oncológico.
Ao longo desse período, o serviço foi ampliado e estruturado, fortalecendo a atuação da equipe. Atualmente, só na oncologia, são 224 PICCs ativos em acompanhamento. Nos últimos dez anos, mais de 5 mil cateteres foram inseridos em pacientes atendidos no Hias.
Hias realizou um evento em celebração aos dez anos de utilização do PICC, tecnologia que ampliou a segurança e a organização do tratamento de pacientes pediátricos
A cerimônia comemorativa reuniu gestores, profissionais de saúde, representantes da sociedade civil e pacientes, destacando os avanços alcançados na assistência e o impacto da tecnologia na vida de quem passa pelo tratamento.