Projeto Rim Art celebra 25 anos reconstruindo histórias de vida no HGF

26 de março de 2026 - 09:07 # # # #

Assessoria de Comunicação do HGF
Texto: Eva Sullivan
Fotos e vídeos: Filipe Dutra e Livia Barbosa

Participantes, fundadores e equipe do HGF se reúnem para celebrar os 25 anos do projeto Rim Art, em um momento marcado por reencontros e trajetórias compartilhadas

No Hospital Geral de Fortaleza (HGF), equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), há um espaço que não aparece nos prontuários, mas atravessa muitas histórias clínicas. Entre linhas, tecidos, tintas e esperança, o projeto Rim Art completa 25 anos como uma extensão silenciosa e essencial do cuidado oferecido a pacientes renais crônicos.

A celebração, realizada na última terça-feira (24), reuniu fundadores, profissionais da saúde, pacientes transplantados, doadores e pessoas que, ao longo dessas duas décadas e meia, ajudaram a sustentar o projeto.

Trabalhos manuais fazem parte do dia a dia do projeto

O Rim Art nasceu em 21 de março de 2001 com o objetivo de oferecer aos pacientes, fora das sessões de hemodiálise, atividades que vão além do simples passatempo, promovendo momentos de expressão, trocas e vínculos. “A finalidade era dar uma atividade para os pacientes no dia que eles não estivessem na sala”, resume Suely Freitas de Oliveira, enfermeira e uma das fundadoras do projeto.

Fundadora e coordenadora do Rim Art, Sueli relembra a criação do projeto e destaca missão de promover autonomia, renda e cuidado para pacientes renais ao longo de 25 anos

Desde então, o grupo atravessou mudanças físicas dentro do hospital, perdas, pausas — como os dois anos de interrupção durante a pandemia — e recomeços. Segundo Sueli, o propósito inicial permanece o mesmo: “Oferecer suporte, além do tratamento clínico, para os pacientes que dependem de hemodiálise e/ou transplantados”, afirma.

Ao longo dos anos, o projeto também se transformou em ponte para autonomia. Muitos participantes se profissionalizaram, passaram a gerar renda com as peças produzidas e conquistaram reconhecimento formal pelo trabalho. Ao mesmo tempo, o Rim Art passou a integrar a formação de novos profissionais, recebendo residentes de serviço social e ampliando seu papel dentro do hospital.

Edília Peixoto relembra a origem do projeto e destaca o papel do coletivo na construção de novas possibilidades para os pacientes

Para a médica nefrologista Edília Peixoto, também fundadora, o sentido do projeto não está apenas no que ele produz, mas no que ele sustenta entre as pessoas. “Sonho que se sonha só é só um sonho. Mas sonho que se sonha junto é realidade”, cita, emocionada, a frase popularizada na canção “Prelúdio”, de Raul Seixas, que atravessa a história do grupo.

Ela acompanha muitos daqueles rostos desde o pré-transplante. Alguns não chegaram até aqui. Ainda assim, permanecem na história escrita a muitas mãos. “A gente está lembrando deles com muito carinho, como se estivessem aqui conosco”, diz.

No cotidiano do projeto, explica, não se trata de ignorar a doença, mas de reorganizar o modo de enfrentá-la: “A luz da esperança está sempre acesa”, reforça Edília.

A paciente relata como o projeto se tornou uma rede de apoio em momentos difíceis e espaço de reconstrução pessoal

Participante do Rim Art há quase quatro anos, Ana Lúcia Colares chegou ao grupo em um momento muito difícil em sua vida. Com o apoio do projeto e da equipe, encontrou acolhimento e um novo olhar sobre sua trajetória. “No Rim Art me sinto amada, acolhida e isso fortalece para vencer as provações”, conta.

Na semana anterior à celebração, durante uma chuva forte, parte da casa de Ana Lúcia desabou. “As pessoas aqui ficaram mobilizadas para me ajudar. Ninguém da minha família apareceu. Mas aqui, todo mundo perguntou como podia me ajudar. Não pedi dinheiro, eu precisava de um amigo e eu encontrei aqui. É mais do que um projeto, é uma família, define. “Às vezes vale mais do que uma medicação”, finaliza.

O diretor-geral do HGF, Manoel Pedro Guimarães, acompanha a celebração e destaca o impacto do Rim Art na vida dos pacientes atendidos pelo hospital

Para quem observa de fora, essa dimensão nem sempre é evidente. O diretor-geral do HGF, Manoel Pedro Guimarães, descreve o impacto de participar da celebração. “A gente escuta falar do Rim Art, mas não tem dimensão do que é antes de viver um momento como esse. Quando a gente olha no olho e escuta os depoimentos de vocês, entende o impacto social. É algo que transforma a vida dos pacientes e de todo mundo que está envolvido”, afirma.

Vinte e cinco anos depois, o Rim Art permanece como um desses espaços difíceis de medir, mas fáceis de reconhecer. Não substitui o tratamento, mas transforma o percurso de quem passa por ele. Não se trata de ignorar a doença, mas de reorganizar o modo de enfrentá-la. “A luz da esperança está sempre acesa”, finaliza Edília.

Ao final da celebração, a ex-paciente transplantada Helena Faustino cantou uma música que compôs a partir da sua vivência no Rim Art.

A música hoje é reconhecida como um hino do Rim Art