Dia Nacional do Cuidador de Idoso: conheça histórias de quem se dedica a amparar próximo

18 de março de 2026 - 16:38 # # # #

Assessoria de Comunicação da CCC e do HGWA
Texto: Márcia Catunda e Bruno Brandão
Fotos: Márcia Catunda, Bruno Brandão e Arquivo pessoal

Valdênia Bezerra, 61, trabalhou como operadora de máquinas durante quase 30 anos. Entretanto, quando passou a amparar a mãe, percebeu que tinha vocação para o ofício. “Eu me apaixonei por fazer isso, costumo dizer que minha motivação veio dessa rotina, mas também me inspirei na minha mãe que sempre cuidou de mim e da minha irmã tão bem”. Então, ela optou pela transição de carreira e reconhece que tomou a decisão certa.

Ela atua como cuidadora de idosos na Casa de Cuidados do Ceará (CCC), equipamento de desospitalização da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), desde 2021, ano de inauguração da unidade. Na visão dela, tratar com amor é o que conquista a confiança das famílias. “Já trabalhei com um paciente nos momentos finais de sua vida e até hoje mantenho contato e amizade com a família, que sempre me recomenda para outras pessoas”, conta, orgulhosa.

Valdenia já trabalhou com diversos pacientes da Casa de Cuidados, desde a implantação da unidade, em 2021

Mesmo com as qualidades como profissional e a experiência, Valdênia sabe da importância de se manter atualizada e qualificada. Por isso, fez o curso voltado a quem quer saber mais sobre o assunto, promovido na unidade. “Fui aluna da primeira turma do curso de cuidadores. Quando a gente ama o que faz, busca se aperfeiçoar cada vez mais. Na CCC temos sempre oportunidade de colocar o conhecimento em prática. Por isso as pessoas confiam em mim, vou para onde me chamam”, relata, bem-humorada.

Atualmente ela trabalha com um paciente em cuidados paliativos. Mesmo com os desafios, mantém-se ativa no equipamento. “Adoro participar das atividades em grupo, só falto se meu paciente não estiver em condições. Essa interação faz bem, a gente faz amizades e renova as energias.”

A renovação de energia também vem da gratidão e da realização em saber que faz a diferença na vida de quem precisa. “O paciente que cuido atualmente chegou bem debilitado, com temperatura e pressão baixa, mas hoje está bem melhor; isso é gratificante. Também reconheço a parceria com a equipe de saúde nessa jornada”.

Unidade trabalha a qualificação e o acolhimento dos profissionais

A CCC realiza diversas capacitações para esses profissionais. Há treinamentos quinzenais sobre diversos temas, entre eles administração segura de dieta, higiene oral, administração segura de medicamentos, cuidados com vias aéreas, mobilização no leito e prevenção de lesão por pressão. Há ainda a oferta do “Curso de Cuidadores”, uma capacitação de 40 horas que tem o objetivo de preparar o técnico ou parente a lidar com situações inerentes ao paciente acamado e evitar uma reinternação hospitalar.

Grupo “Bem Cuidado” atua em um momento de escuta

Diante dos desafios da função, a equipe também se preocupa com a saúde mental dos acompanhantes. Por isso, semanalmente acontece o grupo “Bem Cuidado”, que tem como objetivo promover um momento de escuta e acolhimento. As profissionais de psicologia e terapia ocupacional trabalham técnicas para o controle do estresse e aumento do bem-estar.

A psicóloga Sarah Gomes destaca a importância desse tipo de iniciativa. “Os encontros semanais oferecem um espaço de escuta, acolhimento e troca de vivências entre cuidadores, fortalecendo a rede de apoio e estimulando práticas de relaxamento. Isso contribui para a diminuição da sobrecarga emocional e para a melhoria da qualidade de vida de quem se dedica ao outro.”

Cuidador de idosos tem papel fundamental no Serviço de Atendimento Domiciliar do HGWA

O Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) do Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA) tem como objetivo dar continuidade ao tratamento de saúde do paciente em seu próprio lar. Para que isso seja possível, um elemento é indispensável: o cuidador. É ele quem representa a família no processo de zelar, assumindo o compromisso de seguir as orientações da equipe multiprofissional e colocar em prática o Plano Terapêutico Singular (PTS) elaborado pelos profissionais do serviço.

Esse amparo se traduz em histórias reais de dedicação e amor. A aposentada Francisca Valdenilza, de 70 anos, é cuidadora do irmão Francisco Vladinir, de 63 anos, que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e, em razão das sequelas, passou a ser acompanhado em domicílio pelo SAD/HGWA. Com uma trajetória marcada por prestar assistência, pois já cuidou da mãe, do pai e de outros irmãos, Francisca sabe bem o que a função exige. “Meu desafio é estar atenta à pessoa que estou cuidando. Os momentos mais gratificantes são saber que estou ajudando, que estou sendo útil, e faço com amor.”

Francisca Valdeniza e o irmão, que é assistido pela equipe do SAD

Ela também deixa um conselho a outras pessoas que fazem o mesmo por familiares: “cuide com amor, afinal não sabemos até quando. O idoso precisa de carinho, compreensão, nunca ser tratado mal. E, antes de tudo, precisamos ter muita paciência. Faço por amor. Sou mais velha que ele e Deus todos os dias me dá força e sabedoria.”

SAD promove também momentos de integração entre os cuidadores

Para a assistente social do SAD, Maria Concebida Uchôa, o cuidador é a peça central na relação entre a família e o Serviço. “A comunicação conosco, que é extremamente importante para o acompanhamento de saúde, vai ser mediada por essa pessoa, que conta com o apoio e o suporte dos familiares responsáveis nesse contexto”, explica Maria Concebida.

Ela destaca que as orientações se iniciam já na internação hospitalar, quando a equipe visita o paciente no leito para avaliar o perfil e identificar a pessoa de referência para o domicílio. “Esse processo se aprofunda na admissão e desospitalização e tem continuidade ao longo de todo o acompanhamento em casa, adequando-se sempre ao paciente”, diz.

O SAD também reconhece que quem ampara precisa de zelo. Por isso, o Serviço realiza encontros mensais promovidos pela psicóloga e pela terapeuta ocupacional, utilizando terapias em grupo, rodas de conversa e técnicas de relaxamento, com o objetivo de reduzir o estresse acumulado pela rotina. Além disso, o Serviço Social e a Psicologia realizam abordagens individuais e conferências familiares para tratar questões de sobrecarga, buscando junto às famílias alternativas para as situações identificadas.