#8M: Mulheres na liderança hospitalar: cuidado e gestão transformam a saúde pública

6 de março de 2026 - 11:31 # # # # # # # # # #

Assessoria de Comunicação do Helv e do HGF
Texto e fotos: Ívina Sales e Filipe Dutra
Arte gráfica: Carla Bandeira

Na semana que antecede o dia 8 de março, data em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher, a Rede da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) reconhece a atuação de mulheres que ocupam posições estratégicas na condução de hospitais públicos. Em diferentes unidades, diretoras assumem o desafio de gerir equipes, otimizar processos e garantir assistência de qualidade à população cearense.

Gestão do Cuidado

No Hospital Estadual Leonardo Da Vinci (Helv), que integra a Sesa, duas gestoras representam esse protagonismo: a diretora de Gestão do Cuidado, Késsy Vasconcelos, e a diretora administrativa, Rafaela Neres. Suas trajetórias evidenciam como sensibilidade, preparo técnico e compromisso com o cuidado caminham juntos na administração hospitalar.

Késsy e Rafaela são gestoras no Hospital Estadual Leonardo Da Vinci (Helv)

Para a diretora de Gestão do Cuidado, Késsy Vasconcelos, a escolha pela área da saúde nasceu ainda na infância. “Sempre tive esse direcionamento. Eu me inspirava na minha pediatra e em um tio médico que eu admirava muito. Via na profissão a oportunidade de ajudar diretamente as pessoas”, recorda.

Com formação em medicina e atuação na área de emergência, a gestora destaca que a liderança surgiu como um chamado ao longo da carreira. “Eu não mirava na gestão, visava à assistência ao paciente. Mas fui convidada para assumir cargos de liderança. Mesmo muitas vezes sem me sentir totalmente capacitada, fui aceitando e buscando qualificação”, afirma.

Késsy Vasconcelos de Aquino, diretora de Gestão do Cuidado do Hospital Estadual Leonardo Da Vinci

Ao longo dos anos, ela investiu em especializações, pós-graduação e titulações, como em Administração em Saúde e Auditoria Médica. Para Késsy, conduzir um hospital público exige preparo técnico e capacidade de diálogo. “A gestão na saúde envolve decisões complexas, impacto direto na vida das pessoas e responsabilidade com recursos públicos. É preciso equilíbrio, escuta e compromisso com o cuidado”, ressalta.

Sobre a presença feminina em cargos de gestão, ela avalia que os espaços vêm sendo ampliados. “Na minha trajetória, não enxerguei barreiras diretas, mas sabemos que muitas mulheres enfrentam obstáculos. O que vejo é que, cada vez mais, acreditamos que podemos ocupar esses espaços e já estamos ocupando.”

Desafios e liderança

A trajetória de Rafaela Neres na gestão hospitalar teve início ainda na graduação, no curso de nutrição, quando atuou como estagiária extracurricular no Hospital Geral Dr. Waldemar de Alcântara (HGWA), unidade da Sesa. O contato com a rotina assistencial em um equipamento público de referência foi decisivo para a definição do caminho profissional. Foi nesse contexto que amadureceu a escolha pela saúde pública. “Ali senti que estava onde deveria estar. Fiz a promessa de que um dia seria colaboradora da unidade”, relembra.

Rafaela Neres Severino, diretora administrativa do Hospital Estadual Leonardo Da Vinci

Após aprovação em processo seletivo, assumiu a coordenação de Nutrição, conquistando o primeiro lugar. Em 2009, passou a gerenciar a área e, a partir de 2013, atuou como gerente corporativa, participando diretamente da implantação de unidades da rede. A experiência acumulada na estruturação de serviços hospitalares fortaleceu seu perfil técnico e estratégico. “Cada nova unidade implantada representou um aprendizado sobre planejamento, organização e trabalho em equipe”, ressalta.

Em 2020, durante a pandemia de covid-19, integrou a equipe responsável pela implantação do Helv. No contexto da emergência sanitária, foi convidada a assumir a então Diretoria de Gestão e Atendimento, atualmente Diretoria Administrativa, função que exerce hoje. “Vivemos um dos períodos mais desafiadores da saúde pública, e foi preciso tomar decisões rápidas, sempre com responsabilidade e foco nas pessoas”, destaca.

Segundo Rafaela, a gestão hospitalar ultrapassa processos e indicadores e está diretamente relacionada ao cuidado com pacientes e equipes. Ela associa a liderança feminina à empatia, ao diálogo e à capacidade de atuar em diferentes contextos. Ao refletir sobre os desafios da trajetória, aponta a multiplicidade de papéis socialmente atribuídos às mulheres como um dos principais. “É possível ocupar espaços estratégicos na administração pública sem abrir mão da sensibilidade. O cuidado também é uma forma de liderança”, conclui.

Cristina Jorge: vocação para o ensino e pesquisa a serviço do HGF

Cristina Jorge, diretora de Ensino, Pesquisa e Residência do HGF

Antônia Cristina Jorge é a mais recente integrante do corpo diretivo do Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Ela foi nomeada em 2025 para capitanear a Diretoria de Ensino, Pesquisa e Residência (Diep), braço estratégico responsável por planejar e executar as ações de ensino, pesquisa e inovação, incluindo a educação permanente dos gestores e profissionais da unidade.

A enfermeira e psicóloga admite que a transição para o cargo foi um processo de introspecção. “Relutei por uma série de questões. Porém, recebi o apoio não só da direção do hospital, como também de colegas que enxergavam em mim um potencial que eu, naquele momento, ainda não via”, confessa.

A hesitação inicial, contudo, passava longe da falta de competência. O currículo de Cristina é robusto. Antes da diretoria, foi gerente de Educação Permanente do próprio HGF e vice-coordenadora da pós-graduação em Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Sua trajetória funde gestão, assistência e docência, com passagens pela Sesa, Escola de Saúde Pública do Ceará, Universidade Federal de Santa Catarina e Ministério da Educação.

Ela coordenou projetos cruciais como a Política Estadual de Educação Permanente, Regulação das Práticas de Ensino na Saúde, Proensino Sesa, Política Estadual de Humanização e o projeto AcolheSUS, além do programa Etec Brasil. Foi consultora de cursos técnicos na área da saúde, pesquisadora e professora de graduação.

“O ensino faz meu coração vibrar. É uma área que me encanta, especialmente pela troca de conhecimento. Estar em um hospital que valoriza esse ofício é, sem dúvida, um presente”, celebra.

Cristina e a equipe de Educação Permanente no acolhimento de novos fellows no HGF

A vocação para o magistério despertou na observação de seus próprios mestres. Para Cristina, a educação é um ato de contágio emocional. “Quando alguém é apaixonado pelo que faz e pelo que ensina, isso transborda para os alunos e transforma trajetórias. Transformou a minha. Se hoje ocupo este lugar, é graças aos mestres e mestras com quem tive a honra de cruzar o caminho”, reflete a diretora.

É exatamente esse entusiasmo que ela busca imprimir em sua gestão na Diep do HGF. Entre as frentes já estabelecidas, destacam-se os ciclos de encontros mensais com gestores do hospital, desenhados para fortalecer a cultura organizacional da unidade e promover debates sobre saúde mental. “É uma demanda latente dos trabalhadores e, com os primeiros encontros realizados, já percebemos reflexos positivos e melhorias práticas nos setores”, conclui.

Outros marcos de sua gestão são a implementação do Telessaúde/Saúde Digital, o fortalecimento das residências em saúde e da regulação dos estágios/internato, a regulamentação da inovação e da pesquisa clínica no HGF, o planejamento estratégico da educação permanente com realização de pesquisa para identificar as necessidades de formação dos profissionais que atuam na unidade e o mapeamento das competências necessárias ao processo de trabalho no SUS.

Encontro com gestores em janeiro de 2026

Cristina reafirma o papel do HGF não apenas como uma unidade de assistência, mas como um celeiro de talentos e um porto seguro para quem faz a saúde acontecer no Ceará. “Acredito que o conhecimento só é pleno quando se torna uma ferramenta de transformação humana. Meu objetivo é que cada profissional que passe por esta diretoria saia não apenas tecnicamente melhor, mas com maior consciência do seu papel e da importância do olhar sensível para o outro”, finaliza.

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