Hospital Dia do Hias reduz número de internações e dá mais qualidade de vida a crianças com doenças raras e outras condições

5 de março de 2026 - 15:29 # # # # # #

Assessoria de Comunicação do Hias
Texto e fotos: Levi Aguiar

Médica acompanha atendimento enquanto criança realiza infusão no Hospital Dia do Hias, ao lado da mãe

Todas as semanas, em dias e horários já conhecidos pela família, os irmãos Raul, de 7 anos, e Yves, de 5, atravessam as portas do Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), para cumprir uma etapa essencial do tratamento da mucopolissacaridose (MPS), doença genética rara causada por deficiência enzimática.

Com a criação do Centro de Infusão, também conhecido como Hospital Dia, os dois não precisam de internação prolongada. Chegam no horário agendado, recebem a medicação por via endovenosa e retornam para casa no mesmo dia.

Eles realizam a Terapia de Reposição Enzimática (TRE), feita por infusão da enzima que o organismo não produz adequadamente. “O objetivo é reduzir o acúmulo de substâncias nas células e retardar a progressão da doença, contribuindo para a estabilização do quadro clínico. Embora não represente cura, o tratamento auxilia na qualidade de vida e na sobrevida dos pacientes”, conta a geneticista da unidade, Erlane Ribeiro.

Parte da equipe multiprofissional do Centro de Infusão, responsável pelo acompanhamento de terapias intravenosas sem necessidade de internação

No Hospital Dia, o atendimento é programado. A criança é acolhida pela equipe multiprofissional, permanece monitorada durante a infusão e recebe alta no mesmo dia. Sem esse modelo assistencial, cada aplicação poderia representar três ou quatro dias de hospitalização. O que representaria mais tempo afastados da escola e da rotina familiar.

“A semana da gente é organizada em torno da infusão. Eles já chegam sabendo o que vai acontecer, confiantes, principalmente por causa da Rosinha, nossa técnica de enfermagem. Essa segurança que a equipe transmite faz toda a diferença”, relata a mãe, Yani Gurguel.

Diagnóstico e início do tratamento

Paciente realiza infusão intravenosa no Hospital Dia, em atendimento programado e monitorado pela equipe assistencial

O Centro de Infusão passou a integrar a rotina da família de Yani após um percurso marcado por consultas e exames. A suspeita surgiu quando o filho mais velho apresentou alterações ortopédicas ao nascer. Com o avanço das investigações clínicas e genéticas, veio o diagnóstico de mucopolissacaridose.

Durante a gestação do segundo filho, também foi necessário investigar a possibilidade da mesma condição. A confirmação e o início do tratamento ocorreram pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no Hias.

Hoje, além da reposição enzimática semanal, os dois realizam terapias de reabilitação que complementam o cuidado contínuo. “A cada semana, a ida ao hospital deixa de ser sinônimo de internação e passa a fazer parte de uma rotina organizada, como um compromisso fixo com o tratamento e com a continuidade da vida fora dali”, explica a mãe.

Hospital Dia

A reumatologista Miria Cavalcante coordena o Hospital Dia, serviço voltado à realização de terapias infusionais sem internação prolongada/p>

Coordenado pela reumatologista Miria Cavalcante, o Hospital Dia realizou, em 2024, 4.319 atendimentos. Já em 2025, o total chegou a 4.581 infusões em crianças e adolescentes com doenças crônicas, autoimunes, inflamatórias, infecciosas ou raras que dependem de medicamentos especializados. O acesso ocorre por encaminhamento médico. Após a indicação, a equipe organiza o agendamento, confere protocolos e providencia autorizações quando necessário.

“Entre a consulta ambulatorial e a internação prolongada, o serviço ocupa um espaço estratégico na assistência. Para o hospital, esse atendimento representa maior resolutividade, melhor uso dos leitos de internação e fortalecimento de um modelo assistencial mais eficiente. Para os pacientes, significa acesso mais rápido ao tratamento, redução do tempo de permanência hospitalar e acompanhamento especializado em ambiente seguro”, finaliza a médica.