Oficina estadual debate metas e estratégias para enfrentamento da aids e do HIV no Ceará
24 de fevereiro de 2026 - 17:39 #HIV/Aids
Assessoria de Comunicação da Sesa
Texto e fotos: Jessika Sampaio

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), por meio da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica e Prevenção em Saúde (Covep), realiza, em parceria com o Ministério da Saúde, a Oficina Estadual de Planejamento para Implementação das Diretrizes de Eliminação da Aids e da Transmissão do HIV como Problema de Saúde Pública. O encontro ocorre nesta terça-feira (24) e quarta-feira (25), na Escola de Saúde Pública de Fortaleza Dr. Juraci Vieira de Magalhães (ESPFOR).
A atividade teve como objetivo analisar o cenário epidemiológico do estado, discutir metas previstas nas diretrizes nacionais e refletir sobre estratégias alinhadas à organização da rede de atenção à saúde no Ceará, considerando as especificidades regionais.
Debate reforçou a importância do olhar regional sobre os indicadores
A oficina reuniu gestores estaduais e municipais, representantes da Vigilância em Saúde, Atenção Primária e Especializada, rede laboratorial, Assistência Farmacêutica e sociedade civil.
Enfrentamento exige integração entre assistência e vigilância
Na abertura, o superintendente da Região de Saúde de Fortaleza, Lino Alexandre, destacou que o enfrentamento ao HIV/aids exige atualização permanente das práticas assistenciais e do olhar social. “A terapia antirretroviral transformou o HIV em uma condição crônica, com possibilidade de vida longa e saudável, mas o preconceito ainda é uma barreira relevante para o diagnóstico oportuno e a continuidade do cuidado”, comentou.
O gestor também ressaltou a importância de considerar as desigualdades sociais e as diferentes realidades regionais na análise dos dados epidemiológicos, reforçando a necessidade de planejamento baseado nas especificidades do território.
“Precisamos compreender como o HIV se comporta em cada região de saúde do Ceará para que as estratégias façam sentido na prática e cheguem a quem mais precisa”, afirmou.
Alinhamento técnico marca os dois dias de discussão
A coordenadora de Vigilância Epidemiológica e Prevenção em Saúde da Sesa, Ana Cabral, reforçou que o encontro representa um momento de alinhamento técnico entre estado, municípios e Ministério da Saúde. “Essa oficina permite avaliar os indicadores epidemiológicos e discutir, de forma conjunta, possibilidades de aprimoramento das ações já desenvolvidas, além de ser uma oportunidade de olharmos para os nossos dados, entendermos onde estamos e dialogarmos sobre os próximos encaminhamentos possíveis”, relata.
Ana Maria destacou ainda que as discussões envolvem os municípios, responsáveis pela operacionalização de grande parte das ações assistenciais e de vigilância. “O trabalho só avança quando há pactuação e integração entre as equipes estaduais e municipais”, completou.
Regiões compartilham experiências e desafios locais
Participante da oficina, a coordenadora de Vigilância em Saúde da Região Litoral Leste/Jaguaribe, Vanuza Cosmo, avaliou que o encontro contribui para qualificar o planejamento regional e fortalecer as estratégias de enfrentamento no território. “É um momento importante para construirmos metas mais alinhadas com a nossa realidade e levarmos para o território estratégias que possam ser aplicadas de forma concreta”, frisou.
Vanuza destacou ainda que a troca de experiências entre as regiões favorece o aprimoramento das ações já desenvolvidas. “Discutir dados, compartilhar práticas e alinhar encaminhamentos fortalece a preparação das equipes locais para prevenção, diagnóstico e cuidado às pessoas vivendo com HIV”, comentou.
Sociedade civil integra o debate sobre políticas públicas
A participação da sociedade civil também marcou a oficina. Representando a Rede Nacional das Pessoas que Vivem com HIV/aids, o presidente da entidade, Vando Oliveira, reforçou a importância do diálogo permanente entre gestão pública e movimentos sociais na construção das estratégias de enfrentamento.
Vando defendeu que as ações sejam construídas com base nas possibilidades concretas de cada território, ou seja, aplicando a territorialidade. “É preciso planejar aquilo que é viável executar, para que a gente transforme ‘discussão’ em ‘resultado’. Quando gestão e sociedade civil trabalham juntas, conseguimos avançar mais”, acrescentou.
Diretrizes pactuadas no SUS e compromisso até 2030
Diretrizes nacionais orientam a discussão nos estados
A oficina integra um movimento nacional mais amplo. As Diretrizes para a Eliminação da Aids e da Transmissão do HIV como Problemas de Saúde Pública até 2030 foram pactuadas na Comissão Intergestores Tripartite (CIT), instância máxima de deliberação do Sistema Único de Saúde (SUS), com participação do Ministério da Saúde, estados e municípios.
Segundo o coordenador-geral de Vigilância do HIV/aids do Ministério da Saúde, Arthur Kalichman, as diretrizes foram construídas de forma participativa e representam um compromisso do SUS. “Não são diretrizes apenas do Ministério da Saúde, mas do Sistema Único de Saúde como um todo, pactuadas na instância tripartite”, destacou.
O documento deve estabelecer eixos estratégicos que precisam ser considerados pelos estados, respeitando as especificidades de cada território.