HGF realiza cirurgia para evitar colostomia em recém-nascida com condição congênita
11 de fevereiro de 2026 - 15:28 #cirurgia #HGF #recém-nascido
Assessoria de Comunicação do HGF
Texto e fotos: Eva Sullivan
Cirurgia reconstrutiva realizada no HGF integra nova abordagem no tratamento de malformações anorretais
Com apenas onze dias de vida, Maria Lorena já carrega uma história que marca um novo momento da cirurgia pediátrica no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).
Nascida com uma malformação anorretal, condição congênita em que o ânus e o reto não se formam corretamente, a bebê foi submetida a um procedimento inédito na unidade. Uma cirurgia reconstrutiva, realizada ainda no período neonatal, sem a necessidade de colostomia. Prática que, historicamente, impunha às crianças anos de limitações físicas e sociais.
A mãe, Ravena Rogaciano, de 22 anos, acompanha cada etapa com o nervosismo de quem já enfrentou perdas gestacionais anteriores. “Quando eu a vi, fiquei sem acreditar. Achei que estava sonhando, sabe? Depois de tudo que passei, só agradeci a Deus”, contou.
O encaminhamento aconteceu ainda durante a internação. Avaliada pela equipe médica, a recém-nascida apresentou uma fístula que permitiu adiar e, posteriormente, evitar a colostomia. A possibilidade de uma única cirurgia, com menor impacto ao longo da infância, trouxe alívio, ainda que acompanhado do medo natural. “O coração de mãe se assusta. É a primeira filha, depois de tantas perdas. Mas saber que ela pode ter uma infância normal muda tudo”, diz Ravena.
Equipe atua no centro cirúrgico durante procedimento realizado ainda nos primeiros dias de vida da bebê Maria Lorena
Segundo o cirurgião pediátrico Valmir Moura, até pouco tempo, crianças com essa condição eram submetidas logo após o nascimento à colostomia — procedimento que exterioriza o intestino — e aguardavam anos por cirurgias sucessivas. “Elas passavam a infância inteira colostomizadas, fora da escola, sem brincar, sem nadar. O sonho mais comum que eu ouvia era o de tomar banho de piscina ou de açude”, afirma.
Com uma técnica minimamente invasiva, a reconstrução é feita ainda nos primeiros dias de vida, evitando a colostomia. Em poucas semanas, o bebê pode retornar para casa, alimentando-se e evacuando normalmente. “Em vez de devolver essa criança à sociedade funcional aos sete ou oito anos, estamos fazendo isso em questão de dias”, resume.
Minutos antes da cirurgia, o cirurgião pediátrico conversa com a mãe da recém-nascida
Para Ravena, a confiança no cuidado recebido foi decisiva. “Quando soube que seria ele o médico, e que seria no HGF, fiquei mais tranquila. Porque a gente sabe da importância desse hospital. Além disso, o médico me disse que faria de tudo para que minha filha passasse apenas por essa cirurgia. Isso me deu força e coragem”, conta.
Ao comentar a realização da cirurgia no Hospital Geral de Fortaleza, ele destaca a importância de que um procedimento desse porte aconteça dentro da rede pública. “Fazer essa cirurgia em um hospital público é muito simbólico. É o sistema público que consegue oferecer, no tempo certo, uma intervenção que muda completamente a vida da criança. Aqui, estamos falando de devolver uma infância inteira que antes era atravessada por limitações”, destaca o médico.
A cirurgia foi realizada conforme o planejado e transcorreu sem intercorrências. O procedimento foi considerado um sucesso pela equipe médica e Maria Lorena apresentou boa evolução clínica nos dias seguintes. Alimentando-se bem e com funcionamento intestinal adequado, a bebê recebeu alta hospitalar. “Eu só tenho a agradecer. Agradecer a Deus e a toda a equipe do HGF que cuidou da minha filha. Levo a minha bebê para casa sabendo que ela vai poder crescer, brincar e viver como qualquer outra criança”, agradeceu.