A chuva chegou? Saiba como cuidar da saúde durante período mais úmido no Ceará
9 de fevereiro de 2026 - 09:13 #doenças infecciosas #Hospital São José #HSJ #quadra chuvosa
Assessoria de Comunicação do HSJ
Texto: Allane Marreiro
Fotos: Diego Sombra e Divulgação HSJ
Durante a quadra chuvosa, observa-se um aumento na incidência de diversas doenças que têm relação direta com a água contaminada (Foto: Diego Sombra)
A quadra chuvosa no Ceará compreende os meses de fevereiro a maio. E quando a chuva começa a cair, a rotina muda: saímos de casa com guarda-chuva, desviamos das poças na rua, fechamos as janelas e até mudamos alguns hábitos dentro de casa. Mas, junto com o que chamamos popularmente de inverno no estado, também precisamos aumentar os cuidados com a saúde. Isso porque a água e a umidade favorecem o surgimento de algumas doenças.
Segundo o médico infectologista do Hospital São José (HSJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Luís Arthur Brasil, esse período exige atenção redobrada, já que o aumento das chuvas está diretamente ligado à circulação de vírus, bactérias e ao crescimento de mosquitos transmissores de doenças.
Durante a quadra chuvosa, algumas doenças tendem a aparecer com mais frequência. Elas têm relação direta com a água, seja pelo consumo, contato com a pele ou presença de criadouros de mosquitos. Entre as principais estão:
+ Leptospirose, geralmente associada a enchentes e ao contato com água suja das ruas;
+ Arboviroses, como dengue, zika e chikungunya, que aumentam por causa da água parada, onde o mosquito se reproduz;
+ Doenças respiratórias, como influenza (gripe) e outros vírus, favorecidas pela mudança de temperatura e por ambientes mais fechados;
+ Quadros diarreicos, relacionados ao consumo de água contaminada ou alimentos mal higienizados.
Segundo o infectologista do HSJ, para prevenir a maioria dessas doenças, recomenda-se evitar o contato direto e o consumo de água da chuva contaminada
De acordo com o infectologista, as doenças em questão apresentam um aumento na sua incidência fortemente relacionado às alterações climáticas e ao aumento da intensidade das chuvas. “São enfermidades cujo ciclo de transmissão está associado à água, como a presente nas ruas contaminada por urina de rato, ou ainda, pelo aumento de criadouros de mosquitos, a exemplo do Aedes aegypti, responsável pela transmissão da dengue, que se proliferam em locais com acúmulo de água, como vasos, pneus e outros recipientes”, destaca.
Fique atento aos sintomas
O médico especialista ainda alerta que a maioria dessas doenças começa de forma parecida, com febre alta, dores no corpo, cansaço e mal-estar. “Na leptospirose e na dengue, por exemplo, esses sintomas podem surgir de forma intensa. Em alguns casos, podem aparecer sinais mais graves, como sangramentos, vermelhidão pelo corpo, dor atrás dos olhos ou amarelamento dos olhos e da pele”, ressalta Luís Arthur Brasil.
Já as doenças respiratórias costumam vir acompanhadas de tosse, dor de garganta, nariz entupido e dificuldade para respirar. Nas gastroenterites, o principal sinal é a diarreia aquosa, muitas vezes acompanhada de fraqueza e desidratação.
Onde procurar atendimento
Ao perceber sintomas como febre, dores no corpo, diarreia, mal-estar ou problemas respiratórios, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), como os postos de saúde, que recebem ocorrências mais leves. Se as manifestações forem mais intensas, como dor abdominal intensa, vômitos, tontura, sensação de desmaio, falta de ar e diminuição da quantidade de urina, a recomendação é procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O diagnóstico precoce ajuda a garantir o tratamento adequado e evita complicações. Casos mais graves de qualquer uma dessas doenças são encaminhados desses equipamentos para um hospital especializado.
Como se proteger durante a quadra chuvosa?
Algumas atitudes simples fazem toda a diferença no dia a dia:
+ Evite contato com água de enchentes ou poças nas ruas;
+ Use botas ou proteção nos pés, se precisar passar por áreas alagadas;
+ Elimine água parada em vasos, pneus, garrafas e outros recipientes;
+ Não acumule lixo nas casas ou calçadas;
+ Lave bem os alimentos antes de consumir, deixando frutas e verduras de molho por 15 minutos em solução de uma colher de sopa de água sanitária (própria para alimentos, sem perfume/alvejante) para um litro de água;
+ Beba apenas água tratada ou filtrada;
+ Lave as mãos com frequência;
+ Evite locais fechados e mal ventilados, quando possível;
+ Use máscaras, caso esteja com sintomas gripais ou se precisar conviver com pessoas doentes.
Para o infectologista Luís Arthur Brasil, a atenção deve ser redobrada para os grupos mais vulneráveis. “Pessoas idosas costumam ter outras condições de saúde, como hipertensão e diabetes, que podem agravar infecções. Já as crianças são mais sensíveis aos quadros respiratórios e diarreicos”, finaliza.