Doença do jardineiro: um pequeno machucado que merece atenção

23 de janeiro de 2026 - 09:59 # # #

Assessoria de Comunicação do HSJ
Texto: Allane Marreiro
Fotos: Imagens de arquivo

Historicamente conhecida como doença do jardineiro, a esporotricose é uma infecção causada por um fungo encontrado na natureza, principalmente no solo

Cuidar de plantas, mexer na terra ou conviver com animais faz parte da rotina de muitas pessoas. O que nem todos sabem é que um simples espinho, arranhão ou feridinha na pele pode ser a porta de entrada para uma infecção por fungo, como é o caso da esporotricose. Conhecida popularmente como “doença do jardineiro” ou “doença da roseira”, essa infecção precisa de atenção, informação e cuidado, principalmente porque hoje está cada vez mais ligada ao contato com animais, especialmente os gatos.

A esporotricose é causada por um fungo que vive na natureza, sobretudo no solo, em plantas e em vegetais. Antigamente, a doença aparecia mais em pessoas que trabalhavam com jardinagem ou lidavam com plantas que tinham espinhos, como as roseiras. Por isso, ganhou esses nomes populares.

De acordo com a infectologista, Lisandra Damasceno, médica do Hospital São José (HSJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), com o passar dos anos, a forma de transmissão da esporotricose mudou. “Desde os anos 2000, uma nova espécie do fungo passou a infectar com mais facilidade os animais, principalmente os gatos domésticos. Hoje, os gatos são os principais responsáveis pela transmissão da doença do jardineiro para os seres humanos”, afirma Lisandra.

Segundo Lisandra Damasceno, a doença do jardineiro é considerada uma zoonose, ou seja, ela pode passar dos animais para as pessoas

A especialista destaca que a doença do jardineiro não passa de uma pessoa para outra. A infecção acontece quando o fungo entra na pele através de pequenos machucados. “Isso pode acontecer quando a pessoa sofre algum ferimento com plantas ou terra contaminada, ou por meio de arranhões, mordidas ou contato com secreções de gatos doentes, como secreções do nariz e da boca”, ressalta.

Na maioria dos casos, os sintomas aparecem na pele, exatamente no local onde ocorreu o machucado. No início, surgem pequenos caroços avermelhados, que podem aumentar com o tempo e se espalhar pela região, formando feridas que demoram a cicatrizar. Em algumas situações, essas lesões seguem um trajeto que lembra o formato de um rosário.

Segundo a especialista, geralmente a esporotricose é uma doença localizada e de evolução tranquila, afetando apenas a área do corpo onde houve o contato, como braço, perna ou mão. Entretanto, esse cenário muda em pessoas com a imunidade baixa. “Pacientes com a imunidade comprometida como aquelas que têm doenças crônicas ou usam medicamentos que diminuem a defesa do organismo, podem ter formas mais graves da doença, que pode se espalhar para outros lugares do corpo, como pulmões ou cérebro, e ficar mais grave. Se a lesão for profunda, ela também pode afetar articulações, tendões e outros tecidos, que precisam de mais atenção médica”, destaca Lisandra.

Tratamento e acompanhamento

A doença do jardineiro tem tratamento e tem cura. O tratamento é feito com medicamentos específicos contra fungos, tomados por via oral, e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na maioria dos casos, o tratamento dura de três a seis meses. Em situações mais graves, pode ser necessário um tempo maior de tratamento ou até internação.

No Ceará, a esporotricose é considerada uma doença emergente. Os casos estão começando a ser registrados e acompanhados pelos serviços de saúde, com maior número de notificações em Fortaleza.

Como prevenir a doença do jardineiro

A prevenção começa com cuidado e informação. É importante ficar atento à saúde dos animais, principalmente dos gatos. De acordo com a infectologista Lisandra Damasceno, feridas na pele, espirros, tosse e secreções podem ser sinais da doença no animal. Nesses casos, o gato deve ser levado ao veterinário, pois existe tratamento também para os pets.

“O dono do gato deve ter cuidado ao dar medicamentos para evitar acidentes, como arranhões ou mordidas, e contato com secreções. Usar luvas, máscara e óculos de proteção ajuda na prevenção. Também é importante evitar contato direto com feridas e secreções do animal”, recomenda Lisandra.

Se o gato vier a falecer, ele não deve ser abandonado nem enterrado. O correto é entrar em contato com o Centro de Controle de Zoonoses do município, para que o animal receba o destino adequado, como a incineração, evitando riscos à saúde e ao meio ambiente.

Cuidar da saúde é uma responsabilidade de todos. Ao notar sinais suspeitos em pessoas ou animais, procure uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um serviço veterinário. Informação e cuidado fazem toda a diferença.