Janeiro Roxo: Seminário debate cuidado integral em hanseníase e apresenta avanços na prevenção, no diagnóstico e no tratamento da doença no Ceará
21 de janeiro de 2026 - 10:30 #Hans #Hanseníase #Janeiro Roxo
Assessoria de Comunicação da Sesa
Texto e fotos: Jessika Sampaio
A formação contínua das equipes é essencial para interromper a cadeia de transmissão e evitar complicações relacionadas à hanseníase
A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) realizou, na última terça-feira (20), o Seminário Janeiro Roxo 2026, voltado à sensibilização e à qualificação de profissionais da rede de atenção à saúde sobre a hanseníase. O evento, realizado na Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE), reuniu gestores e técnicos para troca de experiências, atualização de conhecimentos e fortalecimento das ações de vigilância, diagnóstico precoce e cuidado integral às pessoas acometidas pela doença.
O paciente que tiver o diagnóstico encontra o tratamento todo disponível no SUS
A atividade faz parte da campanha Janeiro Roxo, que busca conscientizar a sociedade sobre a hanseníase. Durante o encontro, o secretário Executivo de Vigilância em Saúde da Sesa, Antonio Lima Neto (Tanta), ressaltou que a ação é um momento estratégico para reforçar o debate sobre diagnóstico precoce e enfrentamento ao estigma em torno da doença. “A hanseníase tem tratamento, tem cura e pode ser diagnosticada de forma simples na atenção primária. O grande desafio ainda é vencer o preconceito e ampliar o olhar para que os casos sejam identificados mais cedo”, destacou.
Para ele, investir na formação contínua das equipes é essencial para interromper a cadeia de transmissão e evitar complicações relacionadas à hanseníase. “É preciso encontrar os casos que ainda estão ocultos, tratar essas pessoas e, assim, reduzir progressivamente a doença”, completou.
O Ceará segue como um dos estados com forte enfrentamento da hanseníase
Na avaliação da gestora da Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica da Sesa, Ana Maria Cabral, a hanseníase exige atenção contínua da saúde pública, especialmente por ainda trazer desafios relacionados à identificação precoce. “Apesar de antiga, ela ainda tem uma carga importante no nosso estado. Muitas vezes, é confundida com outras alterações de pele, o que atrasa o diagnóstico”, explicou.
Ana Maria reforçou que a detecção nos estágios iniciais é a principal estratégia de prevenção de incapacidades físicas e de interrupção da transmissão. “Quando a pessoa procura o serviço de saúde apenas em fases mais avançadas, já pode apresentar perda de sensibilidade ou limitações de movimento. Por isso, é fundamental estar atento a manchas que não doem, não coçam e apresentam alteração de sensibilidade”, orientou.
A gestora também ressaltou que todo o tratamento é ofertado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e que a Atenção Primária à Saúde é a principal porta de entrada para o acompanhamento e cuidado dos pacientes. “Após o diagnóstico clínico, o paciente tem acesso integral ao tratamento pelo SUS. Quando necessário, há encaminhamento para serviços especializados, mas o cuidado começa e se mantém no território”, destacou.
Boletim Epidemiológico da Hanseníase no Ceará
O último Boletim Epidemiológico da Hanseníase no Ceará, referente ao período de 2015 a 2025, evidencia avanços importantes no enfrentamento da doença a partir do fortalecimento da vigilância e da qualificação da rede de atenção à saúde. O Ceará segue como um dos estados com forte enfrentamento da hanseníase, ocupando a 10ª posição no ranking nacional de detecção de casos
Entre os resultados positivos apresentados pelo documento, destacam-se a qualidade da atenção no momento do diagnóstico, com cerca de 83% dos casos novos avaliados quanto ao grau de incapacidade física, e o desempenho da vigilância de contatos, que apresentou média anual de 78,7% de contatos examinados, superando 80% entre 2019 e 2024 e alcançando 85,3% em 2022.
O estado também ampliou o uso do Teste Rápido para Hanseníase (TR Hans), adotado por 131, dos 184 municípios, e mantém alta proporção de cura, com média estadual de 87%, além de baixos percentuais de interrupção de tratamento.
Hanseníase e tratamento
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica, de transmissão respiratória, causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente os nervos periféricos e a pele. As manifestações cutâneas, como manchas com alteração de sensibilidade, são sinais importantes para o diagnóstico, que é essencialmente clínico e pode ser realizado na Atenção Primária à Saúde. A detecção precoce é fundamental para interromper a disseminação e evitar o desenvolvimento de incapacidades físicas.