Ceará realiza primeira captação de pulmões no interior do Estado

21 de janeiro de 2026 - 11:01 # # # #

Assessoria de Comunicação da HRSC
Texto e fotos: José Avelino Neto

O procedimento viabilizou a primeira captação de pulmões no interior do Estado

O Ceará realizou a primeira captação de dois pulmões no interior do Estado. O procedimento ocorreu na última terça-feira (20), no Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) em Quixeramobim. Os órgãos foram captados fora de Fortaleza pela primeira vez desde a implantação do transplante pulmonar na rede pública estadual, em 2011.

O procedimento aconteceu durante a primeira captação múltipla de órgãos realizada no Estado em 2026. Além dos pulmões, dois rins foram captados e destinados para transplante em Fortaleza.

Uma ampla articulação foi necessária para viabilizar a ação, envolvendo dez profissionais do HRSC, além de quatro médicos e quatro profissionais da Enfermagem que integram a equipe da Central de Transplantes do Estado. O trabalho das equipes foi fundamental para assegurar a segurança e a eficiência em todas as etapas do procedimento.

A captação contou com o trabalho de cerca de 20 profissionais e duas aeronaves do Ciopaer

A operação contou, ainda, com o apoio de duas aeronaves da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), responsáveis pelo deslocamento das equipes médicas e pelo transporte dos órgãos dentro do tempo adequado para transplante.

Para a secretária da Saúde do Ceará, Tania Mara Coelho, a captação pulmonar no interior do Estado marca um avanço significativo na descentralização da alta complexidade em saúde, resultado direto do fortalecimento da rede estadual e da qualificação contínua dos hospitais regionais.

“O Ceará é hoje um dos quatro estados brasileiros que realizam transplante de pulmão na rede pública. A primeira captação desse órgão no interior é reflexo de um trabalho contínuo de territorialização do cuidado, com investimento na qualificação das equipes, na estrutura dos hospitais regionais e na logística integrada da rede”.

Somente em 2025, o Hospital Regional do Sertão Central realizou a captação de 71 órgãos. Segundo o diretor-geral do Hospital Regional do Sertão Central, Cristiano Rabelo, o feito reflete a maturidade assistencial da unidade e o fortalecimento do trabalho em rede. “Uma captação dessa complexidade exige estrutura adequada, logística eficiente, protocolos bem definidos e, principalmente, equipes altamente comprometidas. Esse resultado mostra que o Hospital está preparado para atuar em procedimentos de alta complexidade e integrado à rede estadual de saúde”, destacou.

A Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott) do HRSC acompanhou o procedimento

O procedimento contou com a participação do cirurgião torácico Israel Medeiros, coordenador do Programa de Transplante Pulmonar do Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM). Para ele, a ampliação do programa permitiu expandir as ações para além da Capital. “Com o fortalecimento do Programa, passamos a viabilizar captações em outras cidades, garantindo mais oportunidades de transplante e salvando mais vidas”, afirmou.

Toda a operação foi acompanhada pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott) do HRSC. A comissão atua na unidade desde 2019 e tem papel essencial na identificação de potenciais doadores e na articulação das equipes envolvidas.

Histórico de transplantes no Estado do Ceará

Em 2025, o Ceará realizou 2.097 transplantes de órgãos e tecidos. Entre 2011 e 2025, o Estado transplantou 58 pulmões, alcançando a quarta colocação no ranking nacional desse tipo de procedimento.

Considerado de alta complexidade, o transplante de pulmão é realizado por outros três estados brasileiros: Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro

Como ser doador de órgãos e tecidos

No Brasil, não é necessário deixar nenhum documento formal para ser doador de órgãos. O mais importante é conversar com a família e manifestar esse desejo em vida, pois são os familiares que autorizam a doação.
É possível doar órgãos e tecidos como coração, rins, fígado, pulmões, pâncreas, córneas, ossos e válvulas cardíacas, possibilitando que um único gesto beneficie diversos pacientes.