Atendimento psicológico no CIDH auxilia famílias a lidar com diagnóstico e tratamento da diabetes tipo 1
15 de janeiro de 2026 - 11:22 #atendimento psicológico #Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH) #CIDH #janeiro branco
Assessoria de Comunicação do CIDH
Texto e Foto: Thiago Mendes
Janeiro pede respiros e recomeços. Para famílias com diagnóstico de diabetes tipo 1, cuidar da saúde mental é caminho importante para entender a condição e viver com mais saúde
O diagnóstico da diabetes mellitus tipo 1 em crianças e adolescentes geralmente vem acompanhado de sentimentos de medo, culpa, angústia e incerteza sobre o futuro. A condição muda o estilo de vida não só da pessoa com diabetes, mas da família, trazendo impactos para toda a vida. No Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH), unidade da rede da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), o ambulatório de Psicologia ajuda pacientes e familiares a lidar melhor com a condição sob o aspecto da saúde mental.
A psicóloga do CIDH, Helena Gomes, explica que o diagnóstico de diabetes tipo 1 geralmente surge em um momento de fragilidade para a família, muitas das vezes envolvendo uma internação. Nesse primeiro momento, continua ela, é preciso acolher as famílias, tentar sanar todas as dúvidas e tentar diminuir a angústia.
“O diagnóstico da diabetes traz essa responsabilidade, de certa forma um sentimento de culpa. Muitos pais não compreendem o porquê do diagnóstico”, relata Helena. A diabetes tipo 1 é uma condição autoimune em que células do corpo atacam as células do pâncreas e este órgão para de produzir insulina ou produz em baixa quantidade, o que torna a pessoa dependente desse hormônio pelo resto da vida. Portanto, diferentemente do diabetes tipo 2, não existe um comportamento de prevenção à diabetes tipo 1.
Helena cita as mudanças na dinâmica familiar após o diagnóstico, pois os cuidados com a diabetes vão requerer controle na alimentação, verificações constantes da glicemia, aplicações de insulina, entre outros. A psicóloga costuma comparar a descoberta da condição a alguém que estará ao lado da pessoa com diabetes por toda a vida, como um amigo ou namorado. “Para onde a gente vai, ela vai junto. Se tratamos bem, ela nos retorna com tranquilidade. Se a tratamos mal, de maneira displicente, ela revida e nos incomoda. A gente só sabe que é uma pessoa que vai estar com a gente. Não tem como mandar embora”, compara Helena.
Depois do susto, enfrentar
O diagnóstico da diabetes tipo 1 pegou de surpresa os pais de Davi Pinheiro, 12 anos, morador de Senador Pompeu, município do Sertão Central. O menino sentiu falta de ar e vômito e precisou de uma internação no Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara, unidade da Rede Sesa, em Fortaleza.
Passado o susto dos 15 dias em que o menino esteve internado, a família começou a ser acompanhada no CIDH e realizou o primeiro atendimento de Psicologia em janeiro de 2026. “Achei muito bom o atendimento. É difícil [o diagnóstico], mas o importante é que já está dando certo. Esse apoio ajuda porque a pessoa, com o psicólogo, conversa bem. A profissional conversa e ensina a gente a fazer as coisas”, conta Maria das Dores Bonifácio, agricultora e mãe de Davi.
Ela diz que sai da consulta mais otimista, disposta a “tocar o barco para a frente” e redobrar cuidados com insulinas e acompanhamento médico. O também agricultor Jucileudo Pinheiro, pai de Davi, ressalta a importância de cuidar melhor da alimentação. “A gente se abalar é pior. Agora é enfrentar”, resume ele.
Autonomia no cuidado
A diretora-geral do CIDH, Cristina Façanha, lembra que as mudanças no estilo de vida da pessoa com diabetes vão além da alimentação, estendendo-se ao uso correto da insulina, entender a monitorização da glicose, atitudes para evitar a hipoglicemia, manutenção da saúde do sono, observação dos pés, entre outros cuidados. Ela defende uma visão positiva, resiliente e de equilíbrio emocional da família que permita ao mesmo tempo auxiliar crianças e adolescentes com diabetes e fomentar um ambiente de autorresponsabilidade com a condição.
“Como pais, temos a tendência de cuidar, proteger, mas é preciso educar os filhos para uma autonomia em relação ao cuidado com a diabetes. É um momento para a família reaprender o cuidado com a vida para seguir adiante, aceitando a condição, mas ajudando a pessoa com diabetes a não se sentir menor ou frágil”, defende Cristina, médica endocrinologista. Ainda segundo ela, é preciso lembrar que é possível ter uma vida saudável e de sucesso mesmo com uma condição que é para a vida inteira.
Cuidado dividido
A psicóloga Helena Gomes alerta que as famílias levem em conta que pessoa “tem” diabetes e não “é” a condição, ou seja, a vida não pode se resumir a esse tema. Superada a fase de diagnóstico, o cuidado com a criança ou adolescente com diabetes passa a ser uma constante e isso também gera questões a serem discutidas pela família.
“O papel do cuidador não pode ser centralizado em uma única pessoa. Seja ela mãe, pai ou avó, esse cuidado precisa ser diluído porque é muita pressão: são muitas mudanças, controle, preocupações diárias com hipoglicemia”, detalha Helena Gomes. A hipoglicemia é uma situação que costuma gerar alerta especialmente em pessoas com diabetes tipo 1. Ela ocorre quando o nível de açúcar no sangue cai a menos de 70 ml/dl e, quando não contornada, pode gerar complicações.
Ela cita alguns cuidados em saúde mental que são importantes também para os cuidadores: prática de exercícios físicos, dedicar tempo a refeições leves e nutritivas e proporcionar-se bons momentos de lazer. “Às vezes, colocar uma cadeira na calçada já é uma prática de cuidado com a saúde mental. Estar entre amigos, entre pessoas que a gente gosta, entre pessoas leves para conversar e brincar. Ou seja, dar a devida importância ao momento”, ensina a psicóloga do CIDH.
Helena lembra que o branco da Campanha Janeiro Branco, de conscientização sobre a importância de se olhar para saúde mental, remete a recomeços, à oportunidade de escrever novas histórias ao longo do ano. “É um período para a gente refletir sobre o que a gente quer; que mudanças a gente quer se proporcionar e permitir-se essas mudanças, esse autocuidado”, detalha a psicóloga.
Ambulatório de Psicologia do CIDH para pessoas com diabetes tipo 1
Dias e Horários: segunda a sexta, das 8h às 11h
Local: Sala da Psicologia, primeiro andar
Quem pode acessar: pacientes e familiares atendidos no CIDH com diagnóstico de diabetes tipo 1, mediante agendamento no Núcleo de Atendimento ao Cliente (NAC) ou encaminhamento da equipe multidisciplinar
Contato: WhatsApp/Telefone: (85) 3125-9161