Protocolo de infecções reduz óbitos no Hospital Waldemar Alcântara
11 de novembro de 2015 - 12:45
No Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), da rede pública do Governo do Estado, a implantação do Protocolo Sepse nas enfermarias e UTIs de adulto, pediátrica e neonatal tem ajudado a diminuir as estatísticas de morte pela doença, desde 2014. Os sintomas são identificados precocemente e os cuidados iniciados com a aplicação do protocolo, que consiste em um conjunto de ações sincronizadas de caráter multidisciplinar, que visa um atendimento de excelência ao paciente séptico.
O adolescente Ednardo Moreira, 21, foi um dos pacientes que tiveram a vida salva após o diagnóstico rápido com a aplicação das condutas do Protocolo Sepse. Ele deu entrada no Waldemar Alcântara com muita febre e fortes dores. Após ser examinado, foi constatada uma infecção grave nos rins. A adoção ao protocolo na primeira hora foi fundamental para garantir a recuperação de Ednardo. “Eu cheguei muito debilitado e com fortes dores, os médicos fizeram vários exames, explicaram o meu problema e a adoção ao Protocolo Sepse foi fundamental para que ficasse bem. Estou sendo bem assistido por toda a equipe, já não tenho mais dores e agradeço a todos os profissionais envolvidos”, fala.
O Protocolo Sepse no Hospital Waldemar Alcântara é aplicado por uma equipe multidisciplinar, formada por médicos, enfermeiros, farmacêuticos, técnicos de enfermagem e laboratório e profissionais dos setores administrativos e de radiologia. De acordo com o coordenador do Time de Resposta Rápida do HGWA, Ulysses Cabral, o protocolo foi implantado em 2012 e reestruturado em 2014, com ações baseadas nos principais estudos mundiais sobre o tema e foco na melhor eficiência de medidas e redução de mortalidade.
Para garantir o sucesso da adesão, foi lançada uma campanha institucional intitulada de Sepse Mata para orientar os profissionais sobre os riscos da doença e a importância do diagnóstico rápido. Além disso, a Coordenadoria de Educação Permanente, Ensino e Pesquisa (CEPEP) e a Educação Permanente em Saúde realizam constantes treinamentos – com a participação do Time de Resposta Rápida, da coordenação da clínica médica e enfermagem, com toda a equipe assistencial e de apoio – além de gerenciamentos, com o objetivo de corrigir falhas e a obtenção de melhores resultados.
Ulysses Cabral explica que após a identificação de um quadro de Sepse, pela equipe assistencial, algumas medidas cruciais devem ser adotadas para redução de morbimortalidade e resolução mais precoce do quadro. “Entre as principais estão: ressuscitação volêmica, isto é, infusão de solução cristalóide (soro fisiológico, por exemplo) de forma rápida e a administração de antibioticoterapia efetiva dentro da primeira hora do diagnóstico. Esta consiste em uma medida fundamental na resolução e redução de danos causados pela Sepse”, explica.
Dados do Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS) mostram que só no Brasil são registrados 400 mil casos de Sepse por ano e em 55% deles os pacientes morrem. A doença é um conjunto de sinais e sintomas desencadeados por uma infecção generalizada. Muitas são as causas da alta incidência da doença no país, entre elas, o atraso no diagnóstico, que é motivado não apenas pelo desconhecimento da população em relação à doença, mas também pelos profissionais de saúde. O diagnóstico tardio pode levar o paciente a óbito.
Resultados positivos
Segundo a diretora do HGWA, Fernanda Netto, desde a implantação do protocolo foram observados resultados positivos na redução de mortalidade por Sepse no hospital. Ela explica que atualmente a média é de 50 diagnósticos por mês, com uma taxa de adesão ao protocolo de mais de 90%, o que leva a um total de 292 vidas salvas só neste ano de 2015, até o mês de setembro.
A adesão quer dizer o seguimento adequado das medidas indicadas. “Muitos pacientes morrem, mas a mortalidade é multifatorial, pois existem pacientes que tem outras doenças de base já graves e estão em cuidados paliativos, entre outros fatores. Ainda assim, a letalidade do protocolo foi de 30%. Na literatura mundial fala-se em 50-55%. Então nosso resultado está muito bom e vemos que há espaço para melhorar ainda mais”, comemora a diretora.
A sepse é um conjunto de sinais e sintomas desencadeados por uma infecção generalizada. Para o diagnóstico de sepse o indivíduo deve apresentar dois ou mais sinais de alerta associados à presença de um foco infeccioso. Os principais sinais de alerta são: febre ou hipotermia, frequências cardíaca e respiratória elevadas, leucocitose ou leucopenia (aumento ou diminuição da taxa sanguínea de leucócitos, comparados aos níveis normais).
Ampliação
Considerando que o Protocolo Sepse foi de extrema valia no Waldemar Alcântara e o hospital sendo um equipamento que recebe pacientes das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs 24h), evidenciou-se a importância da implantação do protocolo de Sepse também nas UPAs. Segundo Virgínia Angélica Lopes Silveira, diretora de Ensino e Pesquisa do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar, que a adesão foi importante para garantir que os pacientes tenham uma melhor assistência nas primeiras horas do diagnóstico.
“Se o diagnóstico de Sepse for feito na UPA, esse paciente já é conduzido de forma adequada, fazendo a reposição volêmica e o antibiótico na primeira hora. Resolvido isso, ele é transferido para o HGWA ou para outra unidade de referência, isso diminui os riscos de morte por Sepse. Nós criamos esta forma de gerenciamento dos pacientes sépticos em todas as UPAS de Fortaleza e esse trabalho conjunto tem obtido resultados satisfatórios, não só para o Waldemar, mas como para os outros hospitais da rede”, explica.
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