Prontuário afetivo humaniza o cuidado nas UTIs do HUC e dá visibilidade às histórias de cada paciente
17 de abril de 2026 - 14:00 #Hospital Universitário do Ceará (HUC) #HUC #humanização #prontuário afetivo
Assessoria de Comunicação do HUC
Texto e fotos: Radene Fortaleza
A ideia é conhecer melhor o paciente como ser humano, além da doença
Antes mesmo de qualquer diagnóstico, existe uma história feita de afetos, memórias e vínculos que nem sempre cabem nos campos de um prontuário clínico tradicional. É a partir desse olhar que o Hospital Universitário do Ceará (HUC) passa a incorporar, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o prontuário afetivo, um complemento ao registro clínico e voltado à valorização da identidade do paciente.
A iniciativa ganha sentido na experiência de quem vive a rotina da UTI de perto. Lavadeira de roupas e moradora de Fortaleza, Jacinta Nonata de Sousa acompanha a filha internada na unidade. Em meio a equipamentos e protocolos, é na dimensão humana do cuidado que encontra acolhimento. “A gente se sente mais acolhida quando percebe que eles sabem quem ela é, do que ela gosta, como ela é fora daqui”, relata.
A proposta surge justamente para ampliar o olhar sobre um modelo historicamente centrado nos aspectos clínicos e operacionais do cuidado. A psicóloga hospitalar do HUC, Karina Marinho Silveira, contextualiza esse cenário. “A UTI é um espaço associado à objetividade técnica, ao monitoramento contínuo e à gravidade clínica. Nesse contexto, pacientes e familiares frequentemente vivenciam medo, ansiedade e sensação de perda de controle”, explica.
Segundo a psicóloga hospitalar, a adoção do prontuário afetivo ultrapassa o campo simbólico e se consolida como estratégia estruturada de cuidado. “A implementação de prontuários afetivos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) tem se consolidado como uma estratégia relevante de humanização do cuidado, especialmente em contextos de internação prolongada. Trata-se de uma prática que tensiona o modelo biomédico tradicional ao introduzir, de forma estruturada, elementos subjetivos, biográficos e relacionais no processo assistencial”, afirma.
Na prática, o prontuário afetivo fica disponível no leito do paciente e reúne informações como o nome pelo qual prefere ser chamado, hábitos, crenças, gostos pessoais e vínculos familiares. Dados que, embora simples, ampliam a compreensão da equipe sobre quem está sendo cuidado e influenciam diretamente a condução da assistência.
Alinhada à Política Nacional de Humanização (PNH), a iniciativa também fortalece a participação da família, reconhecida como elemento importante no processo de recuperação e no bem-estar do paciente. Mais do que estimular empatia, o prontuário afetivo estrutura práticas que qualificam a comunicação entre equipe, pacientes e familiares, além de valorizar as dimensões emocionais e sociais do adoecimento. “Passamos a enxergar o paciente como sujeito de uma história, e não apenas como portador de uma condição clínica”, reforça Karina Silveira.
A construção desse instrumento é coletiva e envolve diferentes áreas da assistência, com destaque para a psicologia e o serviço social. São esses profissionais que conduzem a escuta sensível e ajudam a transformar aspectos subjetivos em registros capazes de orientar o cuidado.