Beijo na boca pode transmitir doenças? Entenda mitos e verdades
15 de abril de 2026 - 16:02 #Beijo #Doença do beijo #doenças infecciosas #Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ) #HSJ
Assessoria de Comunicação do HSJ
Texto: Allane Marreiro
Fotos: Allane Marreiro e Banco de imagens

O beijo é um contato íntimo de baixo risco comparado ao sexo sem proteção, mas ainda exige atenção (Foto: Banco de imagens)
Troca comum entre pessoas que se atraem, o beijo na boca pode trazer algo além daquele friozinho na barriga? Segundo o médico infectologista Luís Arthur Brasil, do Hospital São José (HSJ), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), sim, algumas doenças podem ser transmitidas dessa forma. Entre as mais comuns estão herpes simples (tipos 1 e 2), mononucleose (conhecida como “doença do beijo”), sífilis (quando há lesão na boca) e infecções respiratórias, como gripe e covid-19. Isso acontece porque há contato direto com saliva e mucosas — portas de entrada para vírus.
Apesar disso, o especialista esclarece: nem tudo o que a gente imagina representa, de fato, um risco. “Doenças mais graves, como o HIV, por exemplo, não são transmitidas pelo beijo. Embora alguns vírus possam estar presentes na saliva, a quantidade costuma ser muito baixa e insuficiente para causar infecção nessa forma de contato”, ressalta Luís Arthur Brasil.
Para o infectologista Luís Arthur Brasil, no caso de apresentar sintomas gripais ou lesões na boca, é importante priorizar o tratamento médico antes de retomar o contato físico
O infectologista destaca ainda a condição que ficou popularmente conhecida como “doença do beijo”, a mononucleose, causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV). Mas é preciso estar atento, porque o nome pode enganar. “Essa infecção ocorre principalmente pelo contato com saliva e gotículas respiratórias, o que inclui não só o beijo, mas também o compartilhamento de objetos e o convívio próximo, como em ambientes coletivos, a exemplo das crianças nas creches”, explica o infectologista.
Luís Arthur Brasil reforça que outro ponto importante é que a saliva, por si só, nem sempre é a principal responsável pelo contágio. “No caso do herpes, por exemplo, a transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com lesões nos lábios ou na boca. Ou seja, mais do que o beijo em si, o que aumenta o risco é a presença de feridas, bolhas ou qualquer alteração visível na região oral”, comenta.
A chance de transmissão também está relacionada ao estado de saúde das pessoas envolvidas. Sintomas como febre, dor de garganta, mal-estar ou lesões na boca indicam maior possibilidade de infecção ativa. Em muitos casos, especialmente nas doenças respiratórias, é justamente nesse período que a pessoa mais transmite o vírus.
Ainda assim, o infectologista destaca que o beijo é considerado uma forma de contato íntimo de baixo risco quando comparado a outras situações, como relações sexuais sem proteção, que envolvem troca de fluidos corporais e aumentam significativamente a chance de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Isso não significa, porém, que não seja preciso ter atenção. “Algumas infecções podem ser transmitidas mesmo antes de os sintomas aparecerem, como no caso do herpes, que pode passar de uma pessoa para outra ainda no início da manifestação. Já doenças como a sífilis podem ser transmitidas quando há lesões ativas na boca. No fim das contas, a recomendação é simples: observar os sinais do próprio corpo e o do outro. Se houver qualquer sintoma ou alteração, o ideal é evitar o beijo até a recuperação completa e buscar orientação de um profissional de saúde. Esse cuidado ajuda a proteger não só você, mas também quem está do outro lado”, conclui Luís Arthur Brasil.